Educação

Nessa ou nesta? Qual é o correto e quando usar cada uma

Uma dúvida muito comum na língua portuguesa aparece na hora de escolher entre “nessa” ou “nesta”. As duas palavras parecem semelhantes, possuem funções parecidas e podem surgir em frases que, à primeira vista, dão a impressão de aceitar qualquer uma das opções.

Afinal, o correto é dizer “nessa semana” ou “nesta semana”? Devemos escrever “nessa situação” ou “nesta situação”? E quando alguém fala “nesta cidade”, existe alguma diferença em relação a “nessa cidade”?

A resposta mais importante é: “nessa” e “nesta” estão corretas. O que muda é a situação em que cada palavra deve ser utilizada.

De maneira geral, “nesta” costuma indicar algo relacionado a quem fala ou ao momento presente, enquanto “nessa” normalmente se refere a algo relacionado à pessoa com quem se fala ou a alguma informação que já foi mencionada.

Parece complicado quando explicado dessa maneira, mas a diferença fica muito mais simples quando observamos exemplos reais.

Neste artigo você vai entender quando usar nessa ou nesta, qual é a diferença entre as duas palavras e como evitar erros em textos, mensagens, trabalhos acadêmicos e situações do cotidiano.

Nessa ou nesta: qual é o correto?

Tanto nessa quanto nesta existem na língua portuguesa e podem ser utilizadas corretamente.

A escolha depende do contexto.

As duas palavras são formadas pela combinação da preposição “em” com pronomes demonstrativos:

  • em + essa = nessa;
  • em + esta = nesta.

Portanto, para compreender a diferença entre nessa e nesta, primeiro precisamos entender a distinção entre os pronomes demonstrativos essa e esta.

De forma simplificada:

Esta costuma indicar algo próximo da pessoa que fala.

Essa geralmente indica algo próximo da pessoa com quem se fala ou retoma alguma informação mencionada anteriormente.

Observe:

“Minha carteira está nesta gaveta.”

Nesse caso, a gaveta pode estar próxima da pessoa que está falando.

Agora imagine alguém dizendo:

“Veja nessa gaveta ao seu lado.”

A gaveta está relacionada ou próxima da pessoa que está ouvindo.

Essa distinção espacial é uma das maneiras mais tradicionais de compreender o uso dos pronomes demonstrativos.

A diferença também aparece em referências relacionadas ao tempo e ao próprio texto.

Quando usar “nesta”?

A palavra “nesta” é resultado da contração de “em” + “esta”.

Ela pode ser empregada quando fazemos referência a algo associado à primeira pessoa do discurso, ou seja, à pessoa que está falando ou escrevendo.

Também pode aparecer para indicar determinadas situações presentes ou informações que ainda serão apresentadas.

Veja um exemplo bastante simples:

“Estou trabalhando nesta sala.”

A pessoa que fala encontra-se na própria sala mencionada.

Outro exemplo:

“Estamos enfrentando muitos desafios nesta etapa do projeto.”

A expressão aponta para a etapa atual vivenciada pelas pessoas envolvidas.

Veja outras frases com “nesta”:

  • Estou morando nesta casa há alguns meses.
  • O evento acontecerá nesta cidade.
  • Precisamos resolver o problema nesta semana.
  • Quero melhorar meus resultados neste mês.
  • Há muitas pessoas nesta sala.
  • Vamos discutir três assuntos nesta reunião.

Perceba que existe frequentemente uma ideia de proximidade com quem fala ou com a situação presente.

“Nesta” para indicar o momento atual

“Nesta” também aparece bastante em referências temporais.

Por exemplo:

“Comecei um novo curso nesta semana.”

A expressão normalmente indica a semana atual.

Também podemos encontrar:

“Pretendo viajar neste mês.”

“Os resultados melhoraram neste ano.”

“Não aconteceu nada diferente nesta manhã.”

Nesses exemplos, as expressões apontam para períodos relacionados ao momento em que a pessoa está falando.

Por isso, construções como “nesta semana”, “neste mês” e “neste ano” são muito utilizadas para destacar o período atual.

Quando usar “nessa”?

A palavra “nessa” surge da contração da preposição “em” com o pronome demonstrativo “essa”:

em + essa = nessa.

Tradicionalmente, ela é utilizada para indicar algo relacionado ou próximo da pessoa com quem estamos falando.

Imagine uma conversa por telefone:

“Você consegue encontrar o documento nessa mesa?”

Quem está falando não está necessariamente próximo da mesa. Ela pode estar próxima do interlocutor.

Outro exemplo:

“Tem uma farmácia nessa rua onde você está?”

A rua está associada à pessoa com quem se fala.

Outras frases ajudam a visualizar:

  • O que você está fazendo nessa sala?
  • Existe algum mercado nessa região?
  • Você encontrou alguma coisa nessa caixa?
  • Quem está nessa foto com você?
  • Ainda trabalha nessa empresa?
  • Faz muito frio nessa cidade?

Em todos esses casos, “nessa” pode apontar para algo relacionado ao interlocutor ou a uma informação já conhecida dentro da conversa.

Qual é a diferença entre “nessa” e “nesta”?

Uma forma prática de memorizar a diferença é associar cada palavra às pessoas envolvidas na comunicação.

Nesta → perto de mim ou relacionado ao que estou apresentando.

Nessa → perto de você ou relacionado ao que você mencionou.

Veja:

“Vou colocar os documentos nesta pasta aqui comigo.”

“Coloque os documentos nessa pasta aí com você.”

As expressões “aqui comigo” e “aí com você” tornam a diferença muito evidente.

Podemos organizar assim:

Palavra Formação Uso tradicional
Nesta em + esta Próximo de quem fala
Nessa em + essa Próximo de quem ouve ou relacionado ao que já foi mencionado
Neste em + este Forma masculina relacionada a quem fala
Nesse em + esse Forma masculina relacionada a quem ouve ou ao que já foi mencionado

Um truque simples pode ajudar:

ESTA → aqui.

ESSA → aí.

Se você consegue imaginar “aqui” depois da expressão, existe uma boa chance de “nesta” ser adequada.

“Vou guardar nesta caixa aqui.”

Se a ideia combina com “aí”, provavelmente “nessa” funcionará melhor.

“Procure nessa caixa aí.”

Não é uma regra capaz de resolver absolutamente todas as situações, mas funciona muito bem para entender a diferença espacial.

Nessa semana ou nesta semana?

Essa é provavelmente uma das dúvidas mais frequentes relacionadas ao assunto.

Quando falamos especificamente da semana atual, a forma tradicionalmente mais precisa é:

nesta semana.

Exemplo:

“Tenho três provas nesta semana.”

A pessoa está falando sobre a semana em que se encontra.

Também podemos escrever:

“Comecei a trabalhar nesta semana.”

“Vamos divulgar os resultados nesta semana.”

“Pretendo terminar o projeto nesta semana.”

No português brasileiro cotidiano, entretanto, é extremamente comum ouvir pessoas utilizando “nessa semana” para falar da própria semana atual.

A construção aparece com frequência na linguagem oral e em contextos informais.

Existe ainda uma situação na qual “nessa semana” funciona muito naturalmente: quando estamos retomando uma semana mencionada anteriormente.

Observe:

“Viajei para Salvador na segunda semana de janeiro. Nessa semana, choveu bastante.”

Aqui, “nessa semana” retoma “segunda semana de janeiro”, mencionada na frase anterior.

A diferença fica assim:

Nesta semana → semana atual.

Nessa semana → uma semana mencionada anteriormente ou associada ao interlocutor/contexto.

Compare:

“Tenho uma entrevista nesta semana.”

“Você disse que viajaria na primeira semana de maio. O que aconteceu nessa semana?”

Essa lógica também pode ser aplicada a outras expressões temporais.

Neste mês ou nesse mês?

A mesma diferença aparece entre “neste mês” e “nesse mês”.

Quando estamos falando do mês atual, podemos escrever:

“Vou economizar dinheiro neste mês.”

“Comecei um curso neste mês.”

“A empresa contratou novos funcionários neste mês.”

Quando retomamos um mês mencionado anteriormente, “nesse” pode ser mais adequado.

Exemplo:

“Viajei em dezembro. Nesse mês, os hotéis estavam muito caros.”

O mês de dezembro já apareceu anteriormente. “Nesse mês” funciona como uma referência ao período citado.

Outro exemplo:

“Ela começou a faculdade em fevereiro e conseguiu um estágio nesse mesmo mês.”

A escolha deixa o texto mais claro porque demonstra que estamos retomando fevereiro.

Essa diferença é especialmente útil na escrita, já que permite organizar melhor as referências temporais.

“Nessa” pode retomar algo mencionado anteriormente

Uma das funções mais importantes de “essa”, “esse”, “isso” e suas contrações é a retomada de informações que já apareceram no discurso.

Veja:

“A empresa anunciou uma mudança no horário de funcionamento. Nessa mudança, também foram incluídas novas regras para atendimento.”

A expressão retoma uma informação anterior.

Outro exemplo:

“João apresentou uma proposta para reduzir os gastos. Nessa proposta, ele incluiu mudanças no orçamento.”

“Nessa proposta” aponta para a proposta mencionada na frase anterior.

Isso é muito útil para evitar repetições.

Em vez de escrever:

“João apresentou uma proposta. Na proposta de João havia três mudanças.”

Podemos escrever:

“João apresentou uma proposta. Nessa proposta, havia três mudanças.”

O texto fica mais natural e menos repetitivo.

Veja outros exemplos:

“Conheci uma nova metodologia de trabalho. Nessa metodologia, as tarefas são organizadas por prioridade.”

“Foi publicado um novo regulamento. Nesse documento, estão descritas as regras do processo.”

“Recebi uma mensagem da empresa. Nessa mensagem, havia informações sobre a entrevista.”

A palavra funciona como um elemento de ligação entre aquilo que já foi dito e a nova informação.

“Nesta” pode apresentar algo que ainda será mencionado

Enquanto “nessa” possui forte relação com a retomada de informações anteriores, “nesta” pode ser utilizada para apontar para algo presente ou que será apresentado no próprio discurso.

Um exemplo clássico aparece em textos:

Neste artigo, você aprenderá a diferença entre nessa e nesta.”

O artigo é justamente o conteúdo que o leitor está lendo.

Também podemos escrever:

Nesta seção, apresentaremos alguns exemplos.”

“Vamos abordar neste capítulo os principais conceitos da administração.”

“Você encontrará nesta lista cinco recomendações importantes.”

Esse tipo de construção aparece bastante em artigos, livros, trabalhos acadêmicos, relatórios e materiais educativos.

A escolha ajuda a orientar o leitor dentro do próprio conteúdo.

Exemplos práticos de “nessa” e “nesta”

Depois de entender as regras, observar várias frases é uma das melhores formas de fixar o conteúdo.

Exemplos com “nesta”

“Estou sentado nesta cadeira.”

“Vou guardar o dinheiro nesta carteira aqui.”

“Precisamos tomar uma decisão nesta reunião.”

“Espero conseguir um emprego neste mês.”

“Estamos passando por muitas mudanças nesta fase.”

“Você aprenderá novos conceitos neste artigo.”

“Pretendo começar a academia nesta semana.”

“Há cinco pessoas nesta sala comigo.”

Exemplos com “nessa”

“Você está confortável nessa cadeira?”

“Guarde o documento nessa gaveta aí.”

“Você mora há quanto tempo nessa cidade?”

“Quem é a pessoa nessa fotografia?”

“Você comentou que viajou em julho. O que aconteceu nesse mês?”

“A empresa apresentou um novo projeto. Nesse projeto, serão contratados profissionais de tecnologia.”

“Recebi sua proposta. Existem alguns pontos nessa proposta que precisamos discutir.”

“Você está trabalhando há quanto tempo nessa empresa?”

Perceber o contexto é mais importante do que simplesmente decorar uma lista de regras.

Nessa situação ou nesta situação?

As duas construções podem estar corretas.

A diferença novamente depende da referência.

Imagine que uma pessoa esteja explicando um problema que está vivendo:

Nesta situação, precisamos agir rapidamente.”

O falante pode estar se referindo à situação presente da qual participa.

Agora imagine que alguém conte um problema e outra pessoa responda:

Nessa situação, eu procuraria ajuda.”

Aqui, “nessa situação” retoma aquilo que o interlocutor acabou de contar.

Veja o diálogo:

— Meu carro quebrou no meio da estrada e não tenho sinal de celular.

Nessa situação, eu tentaria encontrar um posto ou estabelecimento próximo.

A segunda pessoa está fazendo referência à situação descrita pela primeira.

Por isso, perguntar simplesmente se “nessa situação” ou “nesta situação” é correto não possui uma resposta única. Precisamos analisar o contexto.

Nesta frase ou nessa frase?

Essa diferença é bastante interessante para quem está escrevendo textos.

Se uma frase já foi apresentada e você quer falar sobre ela, pode utilizar:

“Nessa frase…”

Exemplo:

“Ele chegou cedo ao trabalho.”

Nessa frase, o sujeito é ‘ele’.”

A frase já apareceu. Estamos retomando algo anterior.

Agora imagine que você esteja apresentando a própria frase que será analisada:

Nesta frase — ‘Ele chegou cedo ao trabalho’ — podemos identificar o sujeito facilmente.

A referência está sendo apresentada no próprio momento.

Esse princípio ajuda bastante em provas de português, redações, artigos e trabalhos acadêmicos.

E quanto a “neste”, “nesse”, “nisto” e “nisso”?

A regra não fica limitada às formas femininas.

Existem outras contrações semelhantes:

  • em + este = neste;
  • em + esse = nesse;
  • em + isto = nisto;
  • em + isso = nisso;
  • em + esta = nesta;
  • em + essa = nessa.

A lógica permanece parecida.

Veja:

“Estou trabalhando neste computador.”

O computador está relacionado a quem fala.

“Você comprou esse computador? O que achou dele?”

Também podemos utilizar:

“Você precisa prestar atenção nisso.”

Nesse caso, “nisso” normalmente aponta para algo mencionado ou apresentado pelo interlocutor.

Já uma frase como:

Nisto consiste o principal problema: não temos recursos suficientes.”

“Nisto” pode introduzir ou apontar diretamente para aquilo que será explicado.

Entender a família completa dos pronomes demonstrativos torna muito mais fácil escolher entre “nessa” e “nesta”.

Erros comuns ao usar nessa e nesta

Um dos erros mais frequentes é acreditar que uma das duas palavras está errada.

Não está.

Nessa e nesta fazem parte da língua portuguesa.

Outro problema é utilizar a mesma forma em absolutamente todas as situações sem considerar aquilo que está sendo indicado.

Na linguagem cotidiana brasileira, a distinção entre “esse” e “este” nem sempre é seguida de maneira rígida. É muito comum ouvir:

“Me dá esse copo aqui.”

Pela distinção tradicional de proximidade, se o copo está junto da pessoa que fala, “este copo aqui” seria uma escolha mais precisa.

Isso não significa que toda conversa cotidiana precise seguir uma rigidez artificial.

Em textos formais, acadêmicos, profissionais ou em questões de língua portuguesa, entretanto, compreender a diferença tradicional ajuda a produzir construções mais precisas.

Outro cuidado envolve as referências dentro do próprio texto.

Se você mencionar uma pesquisa no primeiro período e quiser retomá-la depois, “nessa pesquisa” pode funcionar perfeitamente.

Exemplo:

“Um estudo analisou os hábitos de 500 participantes. Nesse estudo, os pesquisadores observaram mudanças importantes.”

Já quando o próprio documento está sendo apresentado, construções com “neste” aparecem naturalmente:

Neste relatório, apresentamos os resultados da pesquisa.”

O segredo está sempre em identificar a que elemento a palavra está fazendo referência.

Como nunca mais confundir nessa ou nesta?

Não é necessário decorar dezenas de regras. Algumas associações simples resolvem grande parte das situações.

Pense desta maneira:

NESTA = aqui / comigo / presente.

NESSA = aí / com você / aquilo que já foi mencionado.

Veja:

“Estou nesta sala aqui.”

“Você está nessa sala aí?”

Outro macete aparece na construção de textos:

Nesta → pode apontar para o conteúdo atual ou que será apresentado.

Nessa → frequentemente retoma algo que já apareceu.

Exemplo:

Neste artigo, mostraremos alguns exemplos.”

O artigo é o conteúdo presente.

Agora:

“Ontem li um artigo sobre economia. Nesse artigo, havia dados interessantes.”

O artigo já foi mencionado anteriormente.

Quando surgir a dúvida entre nessa ou nesta, tente descobrir primeiro onde está aquilo que você deseja indicar e se essa informação já apareceu anteriormente.

Se estiver próximo de quem fala ou ligado diretamente ao momento presente, “nesta” tende a ser a escolha tradicional.

Se estiver relacionado ao interlocutor ou retomando algo mencionado antes, “nessa” costuma funcionar melhor.

Na fala cotidiana, especialmente no português brasileiro, essas fronteiras podem ficar menos rígidas. Ainda assim, conhecer a diferença permite escrever textos mais claros e escolher conscientemente a palavra adequada.

Assim, você não precisa eliminar “nessa” nem substituir todas as ocorrências por “nesta”. As duas formas são corretas. O que determina a melhor escolha é aquilo que você quer indicar em cada frase.