Escolher os melhores grupos de pagode de todos os tempos não é uma tarefa simples. O gênero atravessou décadas, revelou grandes nomes da música brasileira e criou músicas que continuam presentes em festas, churrascos, rodas de samba e playlists até hoje.
Quem viveu principalmente os anos 1990 provavelmente se lembra da época em que grupos de pagode apareciam constantemente na televisão e vendiam milhares de discos. Só que a história não começou ali. Antes da explosão comercial daquela década, artistas ligados às rodas de samba já estavam ajudando a construir aquilo que ficaria conhecido como pagode.
Também não terminou nos anos 90. O gênero passou por transformações, ganhou novas sonoridades e revelou grupos que conquistaram uma geração acostumada ao streaming e às redes sociais.
Por isso, esta lista reúne 30 grupos de pagode antigos e atuais que marcaram época, considerando popularidade, influência, repertório, longevidade e importância para diferentes momentos do gênero.

Vale destacar que qualquer ranking musical possui uma parcela de subjetividade. A intenção aqui não é determinar matematicamente quem foi maior, mas reunir grupos essenciais para quem deseja conhecer ou relembrar a história do pagode brasileiro.
1. Fundo de Quintal
É praticamente impossível falar sobre a história do pagode sem colocar o Fundo de Quintal entre os primeiros nomes.
O grupo nasceu a partir do ambiente das rodas de samba do bloco Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro. Esse movimento teve enorme importância para o desenvolvimento de uma nova maneira de tocar samba.
Entre os músicos que passaram pelo grupo estão nomes fundamentais do gênero, como Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Sombrinha.
O Fundo de Quintal também ajudou a popularizar instrumentos que ganharam enorme espaço nesse estilo de samba, incluindo o tantã e o repique de mão.
Entre suas músicas mais conhecidas estão:
- O Show Tem Que Continuar;
- A Amizade;
- Lucidez;
- Nosso Grito;
- Só Pra Contrariar;
- Vai Lá, Vai Lá;
- Do Fundo do Nosso Quintal.
Sua influência ultrapassa gerações. Muitos grupos que apareceram posteriormente beberam diretamente dessa fonte.
2. Exaltasamba
Quando o assunto é melhores grupos de pagode, o Exaltasamba aparece naturalmente entre os gigantes.
Criado na década de 1980, o grupo alcançou enorme projeção nacional principalmente durante os anos 1990 e 2000.
Uma das formações mais lembradas contou com Chrigor nos vocais. Posteriormente, Thiaguinho assumiu os vocais e ajudou a iniciar uma nova fase de enorme sucesso.
O repertório possui músicas como “Telegrama”, “Me Apaixonei Pela Pessoa Errada”, “Livre Pra Voar”, “Tá Vendo Aquela Lua” e “Gamei”.
A capacidade de permanecer relevante durante diferentes gerações é uma das grandes marcas do Exaltasamba.
3. Só Pra Contrariar
O Só Pra Contrariar, conhecido também pela sigla SPC, tornou-se um verdadeiro fenômeno da música brasileira.
O grupo surgiu em Uberlândia, Minas Gerais, e ganhou projeção nacional durante a década de 1990.
Com Alexandre Pires nos vocais durante sua fase mais famosa, o SPC emplacou sucessos que ultrapassaram as fronteiras do pagode.
“Depois do Prazer”, “Essa Tal Liberdade”, “Que Se Chama Amor”, “Mineirinho” e “Domingo” são alguns exemplos.
O álbum lançado pelo grupo em 1997 atingiu números impressionantes de vendas e ajudou a consolidar o SPC entre os maiores fenômenos comerciais daquele período.
4. Raça Negra
Poucos grupos brasileiros possuem um repertório tão reconhecível quanto o Raça Negra.
Formado em São Paulo e liderado pelo vocalista Luiz Carlos, o grupo foi fundamental para a popularização de uma vertente extremamente romântica do samba e do pagode.
“Cheia de Manias” provavelmente é seu maior cartão de visitas. Basta começar a introdução para boa parte do público brasileiro reconhecer imediatamente.
O repertório ainda inclui sucessos como:
- Cigana;
- É Tarde Demais;
- Deus Me Livre;
- Sozinho;
- Maravilha;
- Doce Paixão;
- Me Leva Junto Com Você.
O Raça Negra conseguiu algo que poucos artistas alcançam: transformar músicas lançadas décadas atrás em faixas que continuam presentes nas festas das novas gerações.
5. Revelação
O Grupo Revelação ganhou projeção nacional no começo dos anos 2000 e rapidamente se transformou em uma das maiores referências do pagode daquela geração.
Durante sua fase clássica, Xande de Pilares tornou-se uma das figuras mais reconhecidas do conjunto.
O grupo apresentou uma sonoridade fortemente ligada às rodas de samba e construiu um repertório cheio de sucessos.
“Tá Escrito”, “Deixa Acontecer”, “Grades do Coração”, “Coração Radiante” e “Velocidade da Luz” estão entre as músicas mais lembradas.
“Tá Escrito” ganhou uma dimensão ainda maior e se tornou praticamente um hino motivacional utilizado em diferentes situações.
6. Sorriso Maroto
O Sorriso Maroto está entre os grupos que melhor conseguiram atravessar diferentes fases do pagode brasileiro.
Formado no Rio de Janeiro e liderado pelo vocalista Bruno Cardoso, o conjunto ganhou grande destaque durante os anos 2000.
Suas músicas normalmente misturam romantismo, relacionamentos, separações e melodias facilmente reconhecíveis.
Entre os grandes sucessos estão “Ainda Gosto de Você”, “Sinais”, “Assim Você Mata o Papai”, “Futuro Prometido” e “Dependente”.
A longevidade ajuda a explicar sua posição entre os maiores grupos do gênero.
7. Turma do Pagode
A Turma do Pagode se consolidou como um dos principais nomes do pagode paulista.
O grupo conquistou grande público com músicas românticas e apresentações que mantêm bastante proximidade com o ambiente descontraído das rodas de samba.
Entre as faixas conhecidas estão “Lancinho”, “Camisa 10”, “Cobertor de Orelha”, “Sua Mãe Vai Me Amar” e “Deixa em Off”.
“Lancinho” se tornou particularmente popular e ajudou o grupo a alcançar ouvintes que iam além do público tradicional do gênero.
8. Pixote
O Pixote é outro representante importante do pagode romântico paulista.
Criado nos anos 1990, o grupo possui uma carreira longa e um repertório que continua bastante lembrado.
Dodô tornou-se a voz característica do conjunto.
Entre os sucessos estão “Mande um Sinal”, “Insegurança”, “Nem de Graça”, “Brilho de Cristal” e “Franqueza”.
A permanência do Pixote durante diferentes momentos do mercado musical demonstra a força construída pelo grupo.
9. Art Popular
O Art Popular teve participação importante na enorme expansão comercial do pagode durante a década de 1990.
O grupo surgiu em São Paulo e alcançou projeção nacional com uma mistura bastante característica de samba, pagode romântico e elementos populares daquele período.
“Pimpolho” tornou-se uma das músicas mais famosas de sua carreira.
Outras faixas conhecidas incluem “Temporal”, “Agamamou”, “Fricote” e “Quando Você Me Beija”.
O Art Popular representa perfeitamente a atmosfera de uma época em que o pagode dominava rádios e programas de televisão.
10. Katinguelê
Quem procura grupos de pagode antigos dos anos 90 certamente encontrará o Katinguelê.
O grupo paulista teve entre seus integrantes o cantor e compositor Salgadinho, que posteriormente desenvolveu carreira solo.
“No Compasso do Criador”, “Inaraí” e “Recado à Minha Amada” estão entre os trabalhos mais conhecidos.
A combinação entre romantismo e samba ajudou o Katinguelê a construir uma identidade própria durante um período extremamente competitivo para o gênero.
11. Negritude Jr.
O Negritude Jr. também foi um dos grandes representantes do pagode paulista dos anos 1990.
O grupo ganhou popularidade nacional e teve Netinho de Paula como um de seus integrantes mais conhecidos.
“Cohab City”, “Beijo Geladinho” e “Absoluta” estão entre as músicas associadas à trajetória do conjunto.
Além do romantismo, algumas letras retratavam situações relacionadas à periferia e ao cotidiano, elemento que ajudou a criar uma conexão particular com seu público.
12. Molejo
Poucos grupos conseguiram misturar pagode e humor com tanta eficiência quanto o Molejo.
O conjunto carioca ficou conhecido nacionalmente por apresentações descontraídas, coreografias e letras bem-humoradas.
Anderson Leonardo tornou-se a figura mais conhecida do grupo e permaneceu diretamente associado à identidade do Molejo até sua morte em 2024.
Entre os maiores sucessos estão “Cilada”, “Brincadeira de Criança”, “Dança da Vassoura” e “Paparico”.
“Cilada” ultrapassou sua geração original e continuou circulando nas redes sociais muitos anos depois de seu lançamento.
13. Os Travessos
Os Travessos estão diretamente ligados à fase de ouro do pagode romântico.
O grupo ganhou enorme popularidade principalmente durante a passagem de Rodriguinho pelos vocais.
“Quando a Gente Ama”, “Tô Te Filmando (Sorria)”, “Meu Querubim” e “Sonhos e Planos” ajudaram a construir a trajetória do conjunto.
A influência romântica é tão forte que várias dessas músicas continuam aparecendo em shows e projetos nostálgicos dedicados aos anos 1990 e 2000.
14. Soweto
O Soweto possui um lugar especial nessa história por ter sido o grupo responsável por apresentar Belo ao grande público.
Durante os anos 1990, o conjunto ganhou destaque com um pagode fortemente romântico.
“Farol das Estrelas”, “Derê” e “Tempo de Aprender” estão entre os trabalhos conhecidos daquela fase.
Belo posteriormente seguiu carreira solo e se transformou em um dos cantores mais populares do pagode romântico brasileiro.
15. Grupo Raça
O Grupo Raça teve participação importante no movimento de pagode que ganhou espaço a partir das rodas de samba cariocas.
O conjunto ficou conhecido por músicas românticas e por sua ligação com compositores importantes do samba.
“Minha Razão de Viver” tornou-se uma das canções mais associadas ao grupo.
Apesar de algumas pessoas confundirem Grupo Raça com Raça Negra por causa dos nomes, são conjuntos diferentes e possuem histórias próprias dentro da música brasileira.
16. Sensação
O Grupo Sensação é outro nome importante do samba e pagode paulista.
Formado na década de 1980, o conjunto teve participação relevante na cena que ajudaria a transformar São Paulo em um dos grandes polos do pagode brasileiro.
Entre seus integrantes mais conhecidos esteve Marquinhos Sensação.
O grupo construiu seu espaço principalmente através das rodas de samba e ajudou a fortalecer uma geração que abriria caminho para inúmeros artistas posteriores.
17. Sem Compromisso
O Sem Compromisso fez parte da grande safra de grupos paulistas que ganhou destaque nos anos 1990.
Seu repertório romântico conquistou espaço durante uma época em que o gênero aparecia constantemente nas rádios brasileiras.
“Eternamente” está entre as músicas mais lembradas do conjunto.
O grupo talvez não tenha alcançado atualmente a mesma exposição de nomes como Raça Negra e Só Pra Contrariar, mas possui importância quando se revisita a história do pagode daquela década.
18. Jeito Moleque
O Jeito Moleque representa muito bem a geração que ganhou força durante os anos 2000.
O grupo paulista trouxe uma abordagem jovem e ajudou a apresentar o pagode para um novo público.
Bruno Diegues tornou-se uma das vozes mais conhecidas dessa formação.
Entre os sucessos aparecem “A Amizade é Tudo”, “Eu Nunca Amei Assim”, “Sobrenatural” e “Para Tudo”.
As músicas do Jeito Moleque marcaram principalmente adolescentes e jovens adultos dos anos 2000.
19. Inimigos da HP
O nome diferente já chamava atenção. Depois vieram os sucessos.
O Inimigos da HP surgiu em São Paulo e conquistou enorme popularidade nos anos 2000.
O grupo ficou conhecido por misturar pagode com uma atmosfera descontraída e repertório bastante adequado para festas.
“Toca um Samba Aí”, “Musa da Praia” e “Bons Momentos” estão entre as faixas lembradas pelos fãs.
O conjunto também participou da fase em que projetos ao vivo ganharam enorme força no mercado fonográfico brasileiro.
20. Grupo Bom Gosto
O Bom Gosto surgiu no Rio de Janeiro e ganhou projeção durante os anos 2000.
A proximidade com o samba tradicional e a energia das apresentações ao vivo ajudaram a diferenciar o conjunto dentro da nova geração.
“Patricinha do Olho Azul” tornou-se um de seus grandes sucessos populares.
O Bom Gosto conseguiu ocupar um espaço interessante entre o samba de roda e o pagode comercial sem abandonar sua identidade.
21. Imaginasamba
O Imaginasamba conquistou destaque principalmente com seu repertório romântico.
O grupo carioca começou sua trajetória ainda nos anos 1990, embora tenha alcançado maior projeção posteriormente.
Músicas como “Pretexto”, “Duvido” e “Você ou Ninguém Mais” ficaram conhecidas entre os fãs do gênero.
A sonoridade bastante romântica transformou o grupo em presença frequente nas playlists dedicadas ao chamado pagode romântico.
22. Nosso Sentimento
O Nosso Sentimento também ajudou a movimentar a cena carioca durante os anos 2000.
O próprio nome já entrega boa parte da proposta: músicas carregadas de romantismo e histórias de relacionamento.
O grupo conquistou uma base fiel de fãs e ganhou projeção com músicas como “Sonho de Amor”.
É um daqueles nomes bastante lembrados por quem acompanhou de perto a geração de pagode que apareceu depois do auge dos anos 90.
23. Clareou
O Clareou representa uma geração que manteve forte ligação com as rodas de samba enquanto incorporava elementos mais modernos do pagode.
O grupo carioca conquistou espaço nacional e ganhou reconhecimento por apresentações animadas e repertório que mistura músicas próprias e releituras.
A trajetória do Clareou também mostra como o gênero continuou se renovando mesmo após várias transformações na indústria musical.
24. Tá Na Mente
O Tá Na Mente ganhou público apostando principalmente no pagode romântico.
Formado no Rio de Janeiro, o grupo tornou-se conhecido entre fãs que acompanharam a renovação do gênero durante os anos 2000 e 2010.
“Não Há Limites” está entre as músicas associadas ao conjunto.
Mesmo sem atingir o mesmo nível comercial de alguns gigantes da década de 1990, o Tá Na Mente conquistou espaço importante dentro de sua geração.
25. Menos é Mais
O Grupo Menos é Mais é um dos maiores exemplos da renovação recente do pagode brasileiro.
Formado em Brasília, o conjunto ganhou enorme projeção através da internet e de projetos audiovisuais.
As rodas e medleys publicados nas plataformas digitais ajudaram o grupo a conquistar milhões de ouvintes.
O sucesso também demonstrou algo importante: músicas antigas de pagode poderiam conquistar novamente o público jovem quando apresentadas em novos formatos.
O Menos é Mais se tornou um dos protagonistas do pagode na era do streaming e ampliou ainda mais seu repertório com músicas próprias que alcançaram grande popularidade.
26. Di Propósito
Também surgido em Brasília, o Di Propósito ganhou projeção nacional durante a nova fase do pagode.
“Manda Áudio” foi uma das músicas responsáveis por ampliar bastante a popularidade do conjunto.
O grupo utiliza elementos tradicionais do gênero ao mesmo tempo que trabalha com uma comunicação adaptada às plataformas digitais.
Sua ascensão reforçou a importância de Brasília no cenário recente do pagode.
27. Akatu
O Akatu nasceu em Belo Horizonte e se transformou em um dos representantes mineiros da nova geração.
O grupo ganhou público através das plataformas digitais, projetos audiovisuais e colaborações com artistas conhecidos.
Seu repertório combina romantismo com uma sonoridade atual.
A presença do Akatu nesta lista também demonstra que a cena contemporânea do pagode deixou de estar concentrada somente no eixo Rio-São Paulo.
28. Kamisa 10
O Kamisa 10 ganhou grande projeção na nova geração do pagode e colocou Goiânia entre as cidades relevantes para o movimento atual do gênero.
O grupo aproveitou muito bem as plataformas digitais e o formato de apresentações ao vivo que voltou a ganhar força nos últimos anos.
Com músicas românticas e refrões fáceis de memorizar, conseguiu conquistar principalmente um público jovem.
O crescimento de grupos como Kamisa 10 mostra que o pagode continua produzindo novos fenômenos comerciais décadas depois de sua explosão nacional.
29. Caju Pra Baixo
O Caju Pra Baixo faz parte da geração mais recente e conseguiu construir uma audiência importante dentro do pagode.
O grupo carioca ganhou visibilidade principalmente através de projetos ao vivo e da circulação das músicas nas plataformas digitais.
A proposta mantém elementos tradicionais das rodas de samba enquanto conversa com uma geração acostumada a consumir música por vídeos, cortes e serviços de streaming.
Esse modelo se tornou fundamental para a renovação do gênero.
30. Benzadeus
O Benzadeus fecha a lista representando uma das novas formações que ajudam a manter o pagode em constante renovação.
O grupo brasiliense ganhou espaço na cena contemporânea e reforça a força que Brasília passou a exercer dentro do gênero.
Sua presença ao lado de nomes como Menos é Mais e Di Propósito mostra como diferentes gerações podem coexistir.
Enquanto clássicos de Fundo de Quintal, Raça Negra, Exaltasamba e Só Pra Contrariar continuam sendo ouvidos, novos grupos conquistam milhões de reproduções e apresentam o estilo para pessoas que sequer eram nascidas durante o auge do pagode dos anos 90.
Quais foram os maiores grupos de pagode dos anos 90?
A década de 1990 merece uma atenção especial porque foi justamente nesse período que o pagode alcançou uma enorme presença na cultura popular brasileira.
Programas de televisão, rádios e gravadoras passaram a investir fortemente no gênero.
Entre os principais grupos de pagode dos anos 90 estavam:
- Raça Negra;
- Só Pra Contrariar;
- Exaltasamba;
- Art Popular;
- Katinguelê;
- Negritude Jr.;
- Molejo;
- Os Travessos;
- Soweto;
- Grupo Raça;
- Sem Compromisso.
Alguns desses grupos já existiam antes da década ou continuaram fazendo sucesso posteriormente. Ainda assim, os anos 90 foram fundamentais para transformar vários deles em fenômenos nacionais.
O romantismo também ganhou enorme espaço.
Relacionamentos, términos, saudade, paixão e reconciliação passaram a dominar muitas letras. Era uma fórmula perfeita para as rádios populares e ajudou a criar uma quantidade impressionante de músicas que permanecem conhecidas décadas depois.
Qual é o maior grupo de pagode de todos os tempos?
Não existe uma resposta completamente objetiva para essa pergunta.
Se o critério utilizado for influência histórica, o Fundo de Quintal possui argumentos fortíssimos para ocupar a primeira posição. O grupo está diretamente relacionado ao desenvolvimento do pagode e influenciou inúmeros sambistas.
Quando o critério passa para popularidade e sucesso comercial, nomes como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Exaltasamba entram imediatamente na disputa.
O Só Pra Contrariar viveu uma fase comercial gigantesca e Alexandre Pires ganhou projeção internacional.
O Raça Negra construiu um repertório extremamente popular e permaneceu relevante durante décadas.
Já o Exaltasamba conseguiu atravessar gerações e viveu diferentes fases de sucesso, incluindo períodos marcados por Chrigor e Thiaguinho.
Também seria injusto ignorar o Revelação quando falamos sobre os anos 2000 ou o Sorriso Maroto quando o assunto é longevidade no pagode romântico.
A resposta depende, portanto, daquilo que está sendo analisado.
Pagode e samba são a mesma coisa?
Essa dúvida aparece frequentemente quando alguém começa a pesquisar a história do pagode.
Os dois estilos estão profundamente relacionados.
O pagode possui suas raízes no samba e a própria palavra já era utilizada para representar festas e encontros com música. A expressão ganhou uma associação ainda maior com uma vertente musical a partir das rodas de samba que se fortaleceram principalmente no Rio de Janeiro durante as décadas de 1970 e 1980.
O Cacique de Ramos teve papel fundamental nesse processo.
Foi naquele ambiente que músicos e compositores ajudaram a desenvolver uma sonoridade marcada por instrumentos e maneiras diferentes de executar o samba.
Com o crescimento comercial ocorrido posteriormente, especialmente durante os anos 1990, “pagode” também passou a ser utilizado pelo público para identificar grupos com forte presença de músicas românticas.
Por isso, tentar estabelecer uma fronteira absolutamente rígida entre samba e pagode pode gerar discussões intermináveis.
O mais importante é compreender que o pagode nasceu dentro do universo do samba e desenvolveu diferentes características ao longo das décadas.
Como o pagode mudou ao longo das gerações?
Uma comparação entre Fundo de Quintal, Raça Negra, Exaltasamba e Menos é Mais mostra rapidamente como o gênero passou por diferentes momentos.
Nos anos 1980, as rodas de samba tiveram enorme importância para a consolidação daquilo que passaria a ser chamado de pagode.
Na década seguinte ocorreu uma explosão comercial.
Grupos passaram a vender grandes quantidades de discos, participar constantemente de programas televisivos e lotar casas de shows.
Durante os anos 2000, artistas como Revelação, Sorriso Maroto, Jeito Moleque, Inimigos da HP e Turma do Pagode ajudaram a manter o gênero entre os estilos mais populares do país.
Depois veio uma transformação profunda na maneira como as pessoas consumiam música.
CDs perderam espaço. YouTube e serviços de streaming cresceram. Redes sociais passaram a ter enorme influência na descoberta de artistas.
O pagode se adaptou.
Projetos gravados em formato de roda ganharam força e medleys de músicas antigas voltaram a alcançar milhões de pessoas.
O resultado foi uma aproximação entre gerações.
Hoje alguém pode conhecer uma composição antiga através da interpretação de um grupo atual e depois procurar a gravação original. Da mesma forma, artistas consagrados passaram a colaborar com músicos mais jovens.
Essa capacidade de renovação ajuda a explicar por que o pagode continua ocupando tanto espaço na música brasileira.
Fundo de Quintal abriu caminhos. Raça Negra e Só Pra Contrariar ajudaram a transformar o estilo em fenômeno nacional. Exaltasamba, Revelação e Sorriso Maroto marcaram outras gerações. Menos é Mais, Di Propósito, Akatu e diversos novos nomes mostram que essa história continua sendo escrita.
No churrasco, na roda de samba, no carro ou naquela playlist criada depois de uma decepção amorosa, basta começar um cavaquinho conhecido para alguém cantar junto.
Talvez seja justamente essa capacidade de atravessar décadas sem perder a identificação com o público que faça do pagode uma parte tão marcante da música brasileira.



