Quem viveu a infância ou adolescência nas décadas de 1970 e 1980 certamente guarda algumas lembranças que começam pelo paladar. Bastava entrar em uma mercearia, padaria ou bar da esquina para encontrar balas, chocolates, chicletes, pirulitos e outras guloseimas antigas que hoje despertam uma enorme nostalgia.
Algumas custavam poucas moedas. Outras eram compradas apenas de vez em quando e viravam quase um evento entre as crianças. Existiam ainda aquelas que eram escolhidas muito mais pela embalagem, pela figurinha ou pela brincadeira proporcionada do que pelo próprio sabor.
Muitas dessas guloseimas das décadas de 70 e 80 desapareceram completamente. Outras sobreviveram ao tempo, mas passaram por mudanças na receita, tamanho ou embalagem. Também existem produtos que foram lançados perto do final desse período e acabaram se tornando símbolos da geração seguinte.
O resultado é uma verdadeira viagem pela memória afetiva brasileira.

Para matar um pouco dessa saudade, reunimos 30 doces, chocolates, balas, chicletes e guloseimas antigas que marcaram as décadas de 70 e 80, explicando o que eram e por que ficaram guardados na lembrança de tanta gente.
Por que as guloseimas antigas despertam tanta nostalgia?
Comida e memória possuem uma relação muito forte.
Um determinado cheiro ou sabor pode fazer alguém lembrar imediatamente da escola, da casa dos avós, das férias ou daquele pequeno comércio existente perto de casa.
No caso das crianças das décadas de 70 e 80, as guloseimas tinham ainda outro componente importante: muitas eram verdadeiros objetos de desejo.
Não existiam compras pela internet e a variedade encontrada nos mercados era bastante diferente da atual. O dinheiro também costumava ser contado. Receber algumas moedas dos pais ou avós e escolher uma bala no balcão podia ser uma experiência marcante.
As embalagens coloridas ajudavam bastante.
Personagens, formatos diferentes, brindes, figurinhas e propagandas na televisão transformavam produtos relativamente simples em fenômenos entre crianças e adolescentes.
É por isso que nomes antigos continuam aparecendo em conversas sobre infância décadas depois.
Vamos relembrar alguns deles.
1. Cigarrinhos de chocolate Pan
Talvez nenhuma lista de doces antigos dos anos 70 e 80 fique completa sem mencionar os famosos Cigarrinhos de Chocolate da Pan.
O produto imitava uma pequena carteira de cigarros. Dentro dela vinham bastões de chocolate embrulhados individualmente.
A embalagem reproduzia algo que hoje seria considerado completamente inadequado para um produto infantil. Naquela época, porém, a percepção social sobre o cigarro era bastante diferente.
As crianças brincavam de imitar adultos enquanto comiam o chocolate.
Com o passar dos anos, o produto foi adaptado e passou a ser comercializado sem a referência direta ao cigarro, inclusive como pequenos rolinhos de chocolate.
A antiga versão acabou virando uma das embalagens mais lembradas quando o assunto é nostalgia.
2. Chocolate Surpresa
O Chocolate Surpresa é outro verdadeiro ícone da infância brasileira.
Lançado pela Nestlé na década de 1980, ele combinava duas coisas que crianças adoravam: chocolate e coleção.
Cada embalagem trazia uma imagem relacionada principalmente a animais e natureza. Também existiam cartões colecionáveis que incentivavam as crianças a trocar repetidos com amigos para completar as séries.
Dinossauros e animais selvagens estão entre as coleções que ficaram na memória.
Para muitas pessoas, completar o álbum ou juntar cartões era quase tão importante quanto comer o chocolate.
3. Guarda-chuvinha de chocolate
Era simples, barato e extremamente reconhecível.
O chocolate vinha moldado no formato de um pequeno guarda-chuva, normalmente envolvido por uma embalagem colorida.
Na parte inferior havia uma pequena haste plástica que completava o formato.
Talvez não fosse o chocolate mais sofisticado do mundo. Isso pouco importava para uma criança diante daquele formato diferente.
Os famosos guarda-chuvinhas de chocolate continuam sendo lembrados como símbolos das antigas bombonieres e mercearias.
4. Dadinho
O Dadinho atravessou gerações.
Criado na década de 1950, o pequeno doce de amendoim já era bastante conhecido durante os anos 70 e 80.
Seu formato quadrado e a embalagem característica fizeram com que fosse facilmente reconhecido nos balcões.
O sabor lembra uma combinação entre amendoim e doce cremoso.
Diferentemente de várias guloseimas desta lista, o Dadinho conseguiu sobreviver por muitas décadas e continua sendo encontrado no mercado.
Para quem cresceu décadas atrás, porém, encontrar um Dadinho ainda pode trazer aquela sensação de comprar doce com moedas no comércio do bairro.
5. Paçoca Amor
A Paçoca Amor é outro exemplo de doce que ultrapassou gerações.
Seu formato tradicional e o sabor intenso de amendoim conquistaram espaço entre as guloseimas populares brasileiras.
Durante décadas, paçocas eram presença constante em mercearias, festas e pequenos estabelecimentos.
O interessante é que doces à base de amendoim continuam extremamente populares no Brasil. Mesmo com chocolates e produtos importados ocupando cada vez mais espaço, a velha paçoca permanece firme.
6. Bala Juquinha
Quem lembra da Bala Juquinha?
Ela se tornou uma das balas mais tradicionais do Brasil e ficou conhecida principalmente por suas embalagens individuais com o personagem que dava identidade ao produto.
Era aquele tipo de bala que aparecia em potes enormes sobre o balcão.
As crianças escolhiam sabores, compravam várias unidades e saíam colocando tudo no bolso.
A Juquinha atravessou diferentes períodos e se transformou em uma referência quando o assunto são balas antigas brasileiras.
7. Drops Dulcora
Muito antes de balas importadas e embalagens sofisticadas dominarem as prateleiras, os drops faziam enorme sucesso.
O Drops Dulcora marcou diferentes gerações.
Normalmente apresentado em embalagens tubulares, possuía pequenas pastilhas doces em diferentes sabores.
Era fácil guardar no bolso e ir consumindo aos poucos.
Produtos desse tipo também eram comuns durante viagens. Muita gente lembra dos pais comprando drops antes de pegar a estrada.
8. Drops Paulistinha
Outro nome que costuma aparecer nas lembranças dos brasileiros mais velhos é o Drops Paulistinha.
Assim como outros doces da categoria, ele fazia parte daquela época em que pequenas pastilhas eram extremamente populares.
Hoje a palavra “drops” ainda é utilizada, mas perdeu parte da presença que possuía décadas atrás.
Naquele período, pedir um drops no balcão era algo completamente normal.
9. Bala Soft
A Bala Soft deixou lembranças por um motivo curioso.
Ela era redonda, dura e extremamente lisa.
Existiam diferentes sabores e cores. Era bastante comum encontrar pacotes variados.
Ao mesmo tempo, muita gente lembra da bala pelo cuidado necessário ao consumi-la devido ao formato e tamanho.
Mesmo assim, tornou-se uma das balas mais nostálgicas dos anos 80.
10. Bala 7 Belo
O sabor de framboesa da 7 Belo provavelmente está entre os mais reconhecíveis das guloseimas brasileiras.
A bala surgiu décadas atrás e conquistou várias gerações.
Sua embalagem rosa e o sabor bastante doce fizeram dela uma presença constante em festas, comércios e pacotes de doces.
A 7 Belo conseguiu algo que várias concorrentes daquela época não alcançaram: permanecer relevante mesmo depois de tantos anos.
Hoje seu sabor também inspira outros produtos.
11. Bala de Leite Kids
As balas de leite eram bastante populares e a Kids tornou-se uma das referências desse tipo de doce.
A textura e o sabor eram completamente diferentes das tradicionais balas de frutas.
Era uma opção simples que podia ser comprada individualmente em muitos estabelecimentos.
Para quem gosta de doces com leite, lembrar dessas balinhas é praticamente voltar algumas décadas no tempo.
12. Caramelos de leite
Antes da enorme variedade atual de doces industrializados, caramelos de leite ocupavam um espaço importante nas bombonieres.
Diversas marcas produziram suas próprias versões.
Eram doces pequenos, normalmente mastigáveis ou mais firmes, feitos com aquele sabor marcante de leite caramelizado.
Também apareciam bastante em potes de estabelecimentos comerciais e até nas casas dos avós.
13. Chiclete Ping Pong
Poucos chicletes representam tão bem a infância brasileira quanto o Ping Pong.
A embalagem pequena e o preço acessível fizeram dele uma febre.
Além do chiclete, existia outro grande atrativo: as figurinhas.
Colecionar, trocar e comparar as imagens fazia parte da brincadeira.
O sabor podia durar pouco segundo a lembrança de muitos consumidores, mas isso não diminuía a diversão. Afinal, boa parte da experiência estava em abrir a embalagem e descobrir qual figurinha apareceria.
14. Chiclete Ploc
O Ploc também conquistou espaço entre as crianças.
Macio, doce e associado à brincadeira de fazer bolas, tornou-se um dos nomes mais conhecidos entre os chicletes brasileiros.
O próprio nome ajudava.
“Ploc” lembrava justamente o barulho da bola de chiclete estourando.
Para quem frequentava cantinas escolares e pequenas mercearias durante os anos 80, encontrar chicletes desse tipo era extremamente comum.
15. Chiclete Adams
A marca Adams possui uma longa história relacionada aos chicletes e confeitos.
No Brasil, seus produtos estiveram presentes em diferentes gerações.
Os chicletes eram pequenos, práticos e encontrados facilmente em estabelecimentos comerciais.
Durante uma época em que chiclete era uma das compras favoritas das crianças, marcas desse tipo acabaram entrando definitivamente para a memória popular.
16. Mini Chiclets Adams
Os pequenos Chiclets também eram inesquecíveis.
Em vez de uma única goma grande, algumas embalagens traziam pequenos pedaços revestidos por uma camada colorida.
Era praticamente impossível comer apenas um.
As crianças colocavam vários na boca para conseguir uma quantidade suficiente para mastigar e tentar fazer uma bola.
O formato colorido também tornava o produto visualmente divertido.
17. Pirulito Zorro
Os pirulitos eram fundamentais em qualquer balcão de doces.
Entre os nomes antigos lembrados por diferentes gerações está o Pirulito Zorro.
Produtos assim tinham uma enorme vantagem para as crianças: demoravam mais para acabar do que uma bala comum.
Isso fazia cada moedinha parecer render um pouco mais.
Pirulitos coloridos, grandes ou pequenos se tornaram parte importante da cultura das antigas guloseimas brasileiras.
18. Pirulito com apito
Aqui a brincadeira praticamente superava o doce.
Alguns pirulitos possuíam um pequeno apito incorporado ao formato ou à embalagem. Depois de consumir o doce, a criança ainda conseguia brincar.
Era a combinação perfeita para os padrões da época:
doce + brinquedo + barulho para enlouquecer os adultos.
Esse tipo de produto representa muito bem uma característica das guloseimas antigas. Muitas não vendiam somente sabor. Vendiam uma pequena experiência.
19. Pirulito em formato de chupeta
Outro clássico das bombonieres era o pirulito que imitava uma chupeta.
O formato chamava atenção imediatamente.
Crianças colocavam o doce na boca como se realmente fosse uma chupeta, o que transformava algo simples em brincadeira.
Hoje pode parecer apenas uma pequena diferença de formato. Na infância, porém, isso era suficiente para escolher um produto em vez de outro.
20. Maria-Mole
A maria-mole é muito mais antiga do que as décadas de 70 e 80, mas merece aparecer entre as guloseimas que marcaram aquele período.
Macia e normalmente coberta com coco ralado, ela possui uma textura bastante particular.
Podia aparecer tanto em festas quanto em padarias, mercearias e doces vendidos individualmente.
É um daqueles sabores tradicionais que imediatamente remetem às antigas docerias brasileiras.
21. Cocada
Outro doce que atravessa gerações é a cocada.
Branca, escura, cremosa ou mais firme, ela podia aparecer de diversas maneiras.
Durante as décadas passadas, doces tradicionais conviviam lado a lado com chocolates, balas e chicletes industrializados.
Por isso, falar das guloseimas dos anos 70 e 80 sem lembrar dos doces feitos à base de coco deixaria uma parte importante dessa história de fora.
22. Pé de moleque
Amendoim e açúcar formam uma combinação que faz parte da tradição brasileira há muito tempo.
O pé de moleque aparecia em festas juninas, vendas, feiras e pequenos comércios.
As versões mais duras exigiam bons dentes, algo que certamente muita gente daquela geração lembra.
Mesmo com tantas opções modernas, o doce permanece popular e continua fortemente associado às festas tradicionais brasileiras.
23. Quebra-queixo
O nome já entregava a experiência.
O quebra-queixo é um doce tradicional preparado principalmente com coco e açúcar caramelizado.
Sua consistência firme e grudenta exige paciência.
Era comum encontrá-lo sendo vendido em pedaços, principalmente em feiras e por vendedores ambulantes.
Para muitas pessoas, o quebra-queixo lembra uma época em que os doces artesanais dividiam espaço com as grandes marcas.
24. Suspiro
Leve, extremamente doce e crocante.
O suspiro era outra guloseima simples encontrada com facilidade em padarias e pequenos comércios.
Algumas versões eram brancas. Outras apareciam em cores diferentes para chamar a atenção das crianças.
A receita básica utiliza claras e açúcar, mas o resultado possui uma textura bastante característica.
É mais um exemplo de como as guloseimas daquela época não dependiam necessariamente de embalagens elaboradas para conquistar o público infantil.
25. Moedas de chocolate
Quem nunca ficou “rico” com moedas de chocolate?
Os pequenos chocolates redondos eram envolvidos por uma folha metálica dourada ou prateada para imitar dinheiro.
Para uma criança, aquilo era fantástico.
Primeiro vinha a brincadeira. Depois vinha o chocolate.
Moedas, guarda-chuvas, cigarros e outros formatos mostram como os fabricantes exploravam bastante a criatividade para tornar produtos simples mais interessantes.
26. Chocolate em formato de guarda-chuva e sombrinha colorida
Além dos tradicionais guarda-chuvinhas, existiam diferentes variações de chocolates moldados e embalados como pequenas sombrinhas.
As embalagens coloridas chamavam atenção de longe.
Esse tipo de chocolate ficou associado principalmente às pequenas lojas e bombonieres onde os produtos eram vendidos individualmente.
Muita gente comprava pela aparência antes mesmo de pensar no sabor.
27. Pastilhas de hortelã
Nem toda guloseima precisava ser extremamente doce.
Pastilhas de hortelã e outros sabores refrescantes também eram comuns.
Elas apareciam em pequenas caixas, rolos ou embalagens individuais dependendo da marca.
Adultos consumiam bastante, mas naturalmente as crianças também queriam experimentar tudo o que estivesse disponível no balcão de doces.
O sabor forte de hortelã é capaz de despertar lembranças instantâneas em quem cresceu naquele período.
28. Balas de goma coloridas
Muito antes da enorme quantidade de gummies em formatos de ursinhos, minhocas e personagens que encontramos atualmente, as tradicionais balas de goma já faziam sucesso.
Eram coloridas, açucaradas e normalmente vendidas em pacotes ou por peso.
As formas mais simples eram suficientes.
Vermelha, verde, amarela, laranja… cada pessoa tinha sua cor favorita, mesmo quando ninguém sabia explicar exatamente qual sabor correspondia a cada uma.
29. Gelatina colorida em copinho
Pequenos doces gelatinosos vendidos em copinhos também fazem parte das memórias de muita gente.
O ritual era simples: abrir a tampa e comer a gelatina diretamente do recipiente.
As cores fortes chamavam bastante atenção das crianças.
Com o passar das décadas, esse tipo de produto ganhou inúmeras versões e formatos diferentes, mas a ideia de transformar uma pequena porção de gelatina em guloseima ficou marcada.
30. Chocolate Lollo
O Lollo chegou ao mercado brasileiro no início da década de 1980 e rapidamente ganhou fãs.
O chocolate possuía recheio aerado e uma identidade visual bastante característica.
Depois de alguns anos, acabou sendo substituído pelo Milkbar. A mudança fez com que muita gente continuasse perguntando durante anos o que havia acontecido com o antigo Lollo.
Décadas depois, a Nestlé trouxe a marca novamente ao mercado brasileiro.
O retorno mostrou justamente a força da nostalgia. Consumidores que haviam conhecido o chocolate durante a infância puderam encontrá-lo novamente já adultos.
Quais doces dos anos 70 e 80 ainda existem?
Uma curiosidade interessante é que nem todas as guloseimas antigas desapareceram.
Alguns produtos atravessaram décadas e continuam disponíveis, embora embalagens, fabricantes, receitas ou formatos possam ter mudado ao longo do tempo.
Entre os nomes que permaneceram conhecidos estão produtos como:
- Dadinho;
- 7 Belo;
- Paçoca Amor;
- Lollo, que chegou a desaparecer e posteriormente retornou;
- diferentes versões de balas de goma;
- paçocas;
- cocadas;
- pés de moleque;
- maria-mole;
- moedas e chocolates em formatos divertidos.
Outros ficaram restritos à memória ou aparecem atualmente em versões diferentes daquelas comercializadas originalmente.
Também é importante considerar que datas de lançamento e disponibilidade podem variar bastante. Um produto lançado no final dos anos 80, por exemplo, pode ter sido muito mais marcante para quem viveu a infância durante os anos 90.
Por isso, listas de doces antigos que deixaram saudades frequentemente misturam produtos de períodos próximos.
Como eram as bombonieres e mercearias das décadas de 70 e 80?
Talvez a maior diferença entre aquela época e hoje não esteja apenas nos produtos.
Está na maneira de comprar.
Atualmente entramos em supermercados e encontramos corredores inteiros dedicados a chocolates, biscoitos, balas e salgadinhos. Também podemos pedir praticamente qualquer produto pela internet.
Nas décadas de 70 e 80, pequenos estabelecimentos tinham uma importância enorme.
Mercearias, padarias, bares e bombonieres exibiam doces diretamente no balcão. Muitos eram vendidos por unidade.
A criança chegava com poucas moedas e precisava fazer uma escolha importante:
bala, chiclete, pirulito ou chocolate?
Às vezes dava para comprar várias balinhas. Em outras situações, todo o dinheiro ia naquele chocolate desejado havia dias.
Os famosos potes transparentes também faziam parte do cenário. Dentro deles ficavam balas, chicletes e doces de diferentes tipos.
Quem estudava perto de algum comércio provavelmente conhecia muito bem esse ritual.
Na saída da escola, um grupo passava no estabelecimento. Cada criança fazia sua compra e depois começavam as trocas:
“Te dou essa figurinha pela sua.”
“Qual sabor você pegou?”
“Veio repetida!”
Essas pequenas experiências ajudam a explicar por que tantas guloseimas antigas brasileiras continuam despertando saudade.
Não era apenas o sabor.
Era tudo aquilo que acontecia ao redor dele.
Brindes e figurinhas faziam parte da diversão
Os fabricantes perceberam cedo que poderiam transformar uma guloseima em algo colecionável.
Figurinhas foram uma das estratégias mais eficientes.
Quando cada embalagem podia trazer uma imagem diferente, comprar outro chiclete ou chocolate ganhava uma nova justificativa.
O consumidor não queria apenas repetir o doce.
Queria descobrir qual figurinha viria desta vez.
Produtos como o Chocolate Surpresa e chicletes colecionáveis aproveitaram muito bem essa lógica.
Isso criava uma espécie de rede social muito antes da internet.
As crianças levavam suas coleções para escola, mostravam aos amigos e negociavam as repetidas.
Algumas figurinhas se tornavam extremamente desejadas simplesmente porque ninguém conseguia encontrá-las.
A brincadeira continuava mesmo depois que o doce acabava.
Por que alguns doces antigos desapareceram?
Existem vários motivos.
Empresas mudam seus portfólios constantemente. Produtos que vendem pouco podem sair de linha para abrir espaço para novidades.
Também existem mudanças de comportamento do consumidor, custos de produção, alterações na legislação, estratégias comerciais e reposicionamento de marcas.
Certas ideias que eram consideradas normais décadas atrás também deixaram de fazer sentido.
Os antigos cigarrinhos de chocolate são um excelente exemplo.
Durante boa parte do século XX, referências ao cigarro estavam muito mais presentes na cultura popular. Com o avanço das políticas de controle do tabagismo e das restrições relacionadas à publicidade, produtos infantis que imitavam cigarros passaram a ser vistos de maneira completamente diferente.
O Brasil possui atualmente uma ampla política de controle do tabaco, desenvolvida ao longo de décadas e acompanhada por instituições como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outros produtos simplesmente perderam mercado.
Novas marcas apareceram, supermercados cresceram, hábitos mudaram e as crianças passaram a ter contato com uma variedade muito maior de produtos nacionais e importados.
Mesmo assim, desaparecer das prateleiras não significa desaparecer da memória.
A nostalgia fez algumas guloseimas voltarem
Empresas sabem que memória afetiva vende.
Uma pessoa que experimentou determinado chocolate aos dez anos pode sentir vontade de comprá-lo novamente aos 40 simplesmente para reviver aquela experiência.
Isso explica o retorno de marcas e produtos antigos.
O Lollo é um dos exemplos conhecidos no mercado brasileiro. Seu retorno explorou justamente a lembrança de consumidores que conheciam o chocolate décadas antes.
Em outros casos, marcas utilizam embalagens retrô, edições especiais ou sabores antigos.
A estratégia funciona porque o consumidor não está comprando somente açúcar, chocolate ou amendoim.
Está comprando uma lembrança.
Abrir a embalagem pode fazer alguém recordar imediatamente da escola, dos amigos de infância ou de uma tarde na casa dos avós.
Poucas estratégias de marketing são tão poderosas quanto essa conexão emocional.
Guloseimas dos anos 70 e 80 eram melhores?
Essa pergunta provavelmente nunca terá uma resposta definitiva.
Para quem viveu aquele período, muitas vezes a resposta será um sonoro “sim”.
Só que existe um detalhe importante.
Nossa percepção de sabor também está relacionada às experiências vividas.
Comer um chocolate durante a infância depois de esperar uma semana para ganhá-lo é completamente diferente de comprar o mesmo produto adulto em um supermercado.
Receitas também podem mudar.
Fabricantes alteram ingredientes, fornecedores, tamanho, processos industriais e embalagens ao longo dos anos. Por isso, mesmo quando uma marca continua existindo, não existe garantia de que o produto atual seja exatamente igual à versão vendida quatro décadas atrás.
A memória ainda tende a guardar os momentos mais especiais.
Talvez seja justamente essa combinação que transforme doces antigos dos anos 70 e 80 em algo tão querido.
Para alguns, a maior saudade será do Chocolate Surpresa e suas coleções. Para outros, será abrir um Ping Pong procurando uma figurinha nova. Alguém certamente escolheria uma Bala Soft, enquanto outra pessoa preferiria gastar suas moedas em um guarda-chuvinha de chocolate.
No fundo, cada geração acaba criando sua própria bomboniere imaginária.
E basta lembrar de uma embalagem, de um sabor ou do barulho de um chiclete estourando para aquela velha mercearia da infância abrir as portas novamente na memória.



