Quais são os países mais perigosos do mundo? A resposta parece simples, mas depende bastante do que entendemos por “perigoso”. Um país pode apresentar índices elevados de criminalidade urbana enquanto outro enfrenta uma guerra civil, terrorismo, instabilidade política ou conflitos internacionais.
Por esse motivo, simplesmente comparar números de homicídios não é suficiente para montar um ranking mundial confiável.
Uma das referências internacionais mais completas para esse tipo de comparação é o Global Peace Index (GPI), elaborado pelo Institute for Economics & Peace (IEP). O índice considera 163 países e territórios e utiliza 23 indicadores para avaliar três grandes áreas: segurança da sociedade, conflitos internos e internacionais e militarização.
Segundo a edição de 2026 do Global Peace Index, o mundo registrou uma nova deterioração da paz. O índice aponta 61 conflitos ativos envolvendo Estados e mais de 181 mil mortes relacionadas a conflitos no período analisado. A paz global caiu 0,7%, enquanto 99 países apresentaram piora em seus indicadores.

Nesse cenário, Rússia, Sudão, República Democrática do Congo e Ucrânia aparecem nas últimas posições do ranking.
A seguir você confere o ranking dos países mais perigosos do mundo em 2026, os motivos que ajudam a explicar a situação de cada um e como esse levantamento deve ser interpretado.
Quais são os 10 países mais perigosos do mundo em 2026?
Considerando as últimas posições do Global Peace Index 2026, os dez países menos pacíficos entre os 163 avaliados são:
| Posição entre os menos pacíficos | País | Posição no GPI | Pontuação |
| 1º | Rússia | 163º | 3,367 |
| 2º | Sudão | 162º | 3,195 |
| 3º | República Democrática do Congo | 161º | 3,189 |
| 4º | Ucrânia | 160º | 3,184 |
| 5º | Israel | 159º | 3,124 |
| 6º | Sudão do Sul | 158º | 3,116 |
| 7º | Afeganistão | 157º | 3,106 |
| 8º | Iêmen | 156º | 3,081 |
| 9º | Síria | 155º | 3,067 |
| 10º | Mali | 154º | 2,996 |
Os dados são do Global Peace Index 2026. No índice, quanto maior a pontuação, menor é o nível de paz registrado pelo país.
É importante fazer uma observação: chamar esses lugares de “mais perigosos” é uma simplificação útil para pesquisas na internet, mas o GPI mede nível de paz, e não exclusivamente o risco enfrentado por turistas ou a criminalidade nas ruas.
Uma guerra internacional pesa no resultado. Terrorismo também. Mortes decorrentes de conflitos, instabilidade política, deslocamento populacional, acesso a armas e militarização são outros fatores considerados.
Por isso, um ranking exclusivamente baseado em homicídios poderia apresentar uma lista completamente diferente.
1. Rússia
A Rússia ocupa a última posição do Global Peace Index 2026, aparecendo em 163º lugar entre os 163 países avaliados. Sua pontuação é de 3,367.
O principal motivo está relacionado ao conflito com a Ucrânia e às consequências de uma guerra prolongada.
O país apresenta elevado nível de militarização e participação direta em um dos maiores conflitos internacionais da atualidade. Além das operações militares, entram na avaliação fatores ligados às mortes causadas por conflitos, relações internacionais e segurança interna.
A edição de 2025 já havia colocado a Rússia na última posição pela primeira vez. O cenário continuou extremamente desfavorável na edição seguinte.
Entre os principais fatores que ajudam a explicar a posição russa estão:
- guerra contra a Ucrânia;
- elevada militarização;
- mortes relacionadas ao conflito;
- participação em conflitos externos;
- tensões geopolíticas;
- deterioração de indicadores de segurança e paz.
Isso não significa que todas as cidades russas apresentem exatamente o mesmo nível de risco. O índice avalia o país de maneira ampla e considera fatores que vão muito além dos crimes comuns.
2. Sudão
O Sudão aparece como o segundo país menos pacífico do mundo em 2026, ocupando a 162ª posição do GPI, com 3,195 pontos.
A situação sudanesa é marcada principalmente por uma guerra civil iniciada em 2023 envolvendo as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF).
As consequências ultrapassam os combates.
O conflito provocou deslocamentos populacionais em enorme escala e uma grave crise humanitária. Segundo a análise do próprio IEP, mais de 12 milhões de pessoas foram deslocadas pela guerra, com refugiados atravessando fronteiras em direção a países como Chade, Etiópia, Sudão do Sul, Egito e República Centro-Africana.
Os fatores que tornam o cenário especialmente preocupante incluem guerra civil, deslocamento populacional, circulação de armas, grupos armados e fragilidade das instituições.
O conflito também possui conexões econômicas e regionais. Redes ilícitas e interesses externos ajudam a tornar a situação ainda mais difícil de solucionar.
3. República Democrática do Congo
A República Democrática do Congo (RDC) ocupa a 161ª colocação mundial, com pontuação de 3,189.
O país convive há décadas com conflitos envolvendo diferentes grupos armados, especialmente na região leste.
A situação é complexa porque não existe apenas um único fator responsável pela violência. Disputas territoriais, tensões regionais, fragilidade institucional e presença de grupos armados ajudam a alimentar períodos recorrentes de conflito.
Além dos combates, a população enfrenta deslocamentos forçados e dificuldades de acesso a serviços essenciais em áreas afetadas.
Isso ajuda a entender uma característica importante dos países que aparecem nas últimas posições do ranking: normalmente existem vários problemas acontecendo simultaneamente.
Não é apenas criminalidade.
Existe uma combinação de conflitos armados, fragilidade do Estado, crise humanitária, deslocamentos populacionais e dificuldade para estabelecer estabilidade política duradoura.
4. Ucrânia
A Ucrânia ocupa a 160ª posição no Global Peace Index 2026, com pontuação de 3,184.
O motivo mais evidente é a guerra com a Rússia.
Desde a invasão russa em grande escala iniciada em fevereiro de 2022, o território ucraniano enfrenta ataques, combates e destruição de infraestrutura.
Uma guerra desse tamanho afeta praticamente todos os componentes relacionados à paz.
Existe aumento da militarização, mortes provocadas pelo conflito, deslocamento populacional, presença de armamentos e insegurança em diferentes regiões.
Também é necessário considerar que o nível de risco não é uniforme em todo o território.
Áreas próximas às linhas de combate tendem naturalmente a apresentar condições muito diferentes de regiões mais afastadas. Mesmo assim, o impacto nacional do conflito é suficiente para colocar a Ucrânia entre os países menos pacíficos do planeta.
5. Israel
Israel aparece na 159ª posição do ranking de 2026, com pontuação de 3,124.
A posição está fortemente relacionada aos conflitos e tensões regionais, incluindo as consequências da guerra em Gaza e de confrontos envolvendo diferentes atores no Oriente Médio.
Vale novamente destacar a diferença entre paz nacional e criminalidade convencional.
A posição de Israel no GPI não significa simplesmente que suas ruas apresentam uma das maiores taxas de crimes comuns do planeta. O índice incorpora conflitos externos e internos, militarização e diferentes fatores associados à violência.
Esse exemplo mostra exatamente por que rankings de “países mais perigosos” precisam apresentar sua metodologia.
Dependendo do indicador escolhido, o resultado pode mudar bastante.
6. Sudão do Sul
O Sudão do Sul ocupa a 158ª colocação mundial, registrando pontuação de 3,116.
O país conquistou sua independência do Sudão em 2011, tornando-se um dos Estados mais jovens do planeta. Desde então, enfrenta enormes dificuldades para estabelecer estabilidade duradoura.
Conflitos políticos, violência entre grupos, fragilidade institucional e crises humanitárias fazem parte do cenário.
A proximidade com outros focos de instabilidade também importa.
O relatório de 2026 destaca que conflitos modernos estão cada vez mais conectados. Pessoas deslocadas, armas, recursos financeiros e combatentes podem atravessar fronteiras e fazer com que uma crise interna provoque consequências em países vizinhos.
Essa dinâmica aparece de maneira bastante evidente na região do Chifre da África e em áreas próximas.
7. Afeganistão
Durante muitos anos, o Afeganistão apareceu entre os países menos pacíficos do mundo. Em 2026, ocupa a 157ª posição, com 3,106 pontos.
Décadas de guerras deixaram consequências profundas no país.
A retirada das forças internacionais e o retorno do Talibã ao poder em 2021 modificaram a dinâmica do conflito, mas não eliminaram todos os problemas relacionados à segurança.
O país ainda enfrenta instabilidade, ameaças de grupos extremistas, dificuldades econômicas e uma situação humanitária delicada.
Outro ponto importante é que uma redução em determinados tipos de combate não transforma automaticamente um país em um local completamente seguro.
As consequências de décadas de conflito podem permanecer durante muito tempo, especialmente quando instituições, economia e infraestrutura foram severamente afetadas.
8. Iêmen
O Iêmen está na 156ª posição, com pontuação de 3,081.
O país enfrenta uma prolongada crise envolvendo conflitos políticos, militares e humanitários.
A guerra civil iemenita ganhou grande dimensão a partir de 2014 e 2015. Desde então, diferentes grupos e potências regionais passaram a fazer parte direta ou indiretamente da disputa.
O resultado foi uma crise extremamente difícil de solucionar.
Infraestrutura danificada, insegurança alimentar, deslocamento populacional e confrontos contribuíram para colocar o país repetidamente nas últimas posições dos índices internacionais de paz.
A localização estratégica do Iêmen também aumenta sua importância geopolítica. O país está próximo de importantes rotas marítimas internacionais, o que faz com que acontecimentos locais possam produzir impactos muito além de suas fronteiras.
9. Síria
A Síria ocupa o 155º lugar no Global Peace Index 2026, com 3,067 pontos.
A guerra iniciada em 2011 transformou profundamente o país.
Milhões de pessoas deixaram suas casas durante os anos de conflito. Cidades e infraestruturas foram destruídas e diferentes forças nacionais e estrangeiras passaram a atuar no território.
Mesmo com mudanças políticas e militares ao longo dos anos, as consequências da guerra continuam afetando a estabilidade do país.
Esse é outro exemplo de como a recuperação após um conflito prolongado pode levar muitos anos.
Encerrar ou reduzir grandes confrontos é apenas uma etapa. Reconstruir infraestrutura, instituições, economia e confiança social representa um desafio muito maior.
10. Mali
Fechando a lista dos dez países menos pacíficos está o Mali, na 154ª colocação, com 2,996 pontos.
Localizado na região do Sahel, na África, o Mali enfrenta instabilidade política e atuação de grupos armados há anos.
Partes do território foram afetadas pela presença de organizações extremistas e conflitos envolvendo diferentes grupos.
A situação do Mali também precisa ser observada dentro do contexto regional.
O Sahel reúne países que enfrentam problemas relacionados a terrorismo, golpes de Estado, fragilidade institucional, pobreza e conflitos armados. Quando grupos atravessam fronteiras, uma crise nacional pode rapidamente ganhar dimensão regional.
Essa combinação explica por que Mali, Burkina Faso e Níger aparecem relativamente próximos das últimas posições do GPI 2026. Burkina Faso ocupa o 149º lugar e Níger aparece na 146ª posição.
Como é definido qual é o país mais perigoso do mundo?
Não existe uma única organização capaz de determinar definitivamente qual é o “país mais perigoso do mundo”.
Tudo depende dos critérios escolhidos.
O Global Peace Index é interessante justamente porque não utiliza apenas uma variável.
São considerados 23 indicadores distribuídos em três áreas principais:
Segurança e proteção da sociedade: inclui fatores relacionados à criminalidade percebida, terrorismo, instabilidade política, manifestações violentas, deslocamentos e outros aspectos de segurança.
Conflitos internos e internacionais: considera duração e quantidade de conflitos, mortes provocadas por conflitos organizados e relações com países vizinhos.
Militarização: avalia elementos como gastos militares, número de integrantes das forças armadas, transferência de armamentos e capacidade relacionada a armas pesadas.
O componente relacionado à paz interna possui peso de 60% no cálculo, enquanto a dimensão externa representa 40%.
Isso torna o índice mais abrangente do que uma simples tabela de homicídios.
País mais perigoso é o mesmo que país com mais crimes?
Não.
Essa é uma diferença fundamental.
Um país pode apresentar muitos homicídios e crimes violentos sem estar envolvido em uma guerra. Outro pode possuir índices menores de criminalidade convencional em algumas regiões, mas estar diretamente envolvido em um conflito internacional.
Imagine dois cenários.
No primeiro país existem índices elevados de assaltos e homicídios, porém não há guerra.
No segundo existe uma guerra envolvendo forças militares, ataques aéreos, mortes em combate e deslocamentos de milhares de pessoas.
Qual deles é “mais perigoso”?
A resposta depende do indicador utilizado.
Por isso, rankings internacionais precisam ser interpretados dentro da metodologia adotada.
Se a pergunta fosse “quais países possuem as maiores taxas de homicídio?”, seria necessário utilizar outro conjunto de dados. Se fosse “quais são os destinos mais perigosos para turistas?”, fatores como região visitada, alertas de viagem, crimes contra estrangeiros e estrutura de segurança também precisariam entrar na análise.
Por que tantos países perigosos enfrentam guerras e instabilidade?
Os países nas últimas posições do ranking possuem histórias diferentes, mas alguns problemas aparecem repetidamente.
Entre eles estão conflitos prolongados, instituições frágeis, disputas políticas, circulação de armas, deslocamentos populacionais e interferência de atores externos.
Um problema também pode alimentar outro.
Uma guerra destrói infraestrutura e reduz oportunidades econômicas. A falta de oportunidades pode facilitar o recrutamento de pessoas por grupos armados. A presença desses grupos aumenta a insegurança e dificulta investimentos. A redução dos investimentos piora ainda mais as condições econômicas.
Forma-se um ciclo difícil de romper.
O Global Peace Index 2026 chama atenção justamente para o crescimento da conexão entre conflitos. Segundo o IEP, conflitos internos internacionalizados cresceram significativamente desde 2010, enquanto armas, combatentes, recursos e refugiados atravessam fronteiras e conectam crises que antes poderiam permanecer mais localizadas.
O relatório também mostra uma mudança preocupante na maneira como guerras terminam. A parcela de conflitos entre Estados encerrados por acordos de paz caiu de aproximadamente 23% na década de 1970 para cerca de 4% na década de 2010.
Isso ajuda a explicar por que algumas guerras modernas permanecem ativas durante tantos anos.
O mundo está ficando mais perigoso?
Os dados recentes apontam uma deterioração da paz mundial.
O Global Peace Index 2026 registrou queda de 0,7% na paz global, marcando mais um ano de piora. Dos países avaliados, 99 apresentaram deterioração enquanto 62 melhoraram.
O número de conflitos ativos envolvendo Estados chegou a 61, o maior patamar desde a Segunda Guerra Mundial segundo o levantamento. Mais de 181 mil mortes relacionadas a conflitos foram registradas no período analisado.
Existe também um enorme impacto financeiro.
O Institute for Economics & Peace estima que o impacto econômico global da violência alcançou US$ 21,8 trilhões em 2025, equivalente a aproximadamente 10,5% do Produto Interno Bruto mundial.
Outro dado ajuda a dimensionar a crise: aproximadamente 117 milhões de pessoas estavam em situação de deslocamento forçado no mundo em 2025, equivalente a cerca de uma em cada 67 pessoas.
Enquanto Rússia, Sudão, República Democrática do Congo, Ucrânia e Israel ocupam as últimas colocações, o outro extremo do ranking mostra uma realidade completamente diferente.
Islândia, Nova Zelândia, Suíça, Eslovênia e Irlanda aparecem como os cinco países mais pacíficos do mundo em 2026.
A distância entre esses dois grupos mostra que segurança não depende de um único fator. Estabilidade política, instituições funcionais, relações internacionais, baixos níveis de violência, capacidade do Estado e ausência de guerras acabam trabalhando em conjunto.
Também é justamente por isso que o ranking pode mudar de um ano para outro. Uma guerra, acordo de paz, crise política ou escalada militar pode modificar rapidamente a situação de um país.
Para quem deseja acompanhar quais são os países mais perigosos do mundo, portanto, vale sempre verificar o ano e a metodologia da lista. Rankings antigos podem deixar de representar a realidade em pouco tempo, principalmente em regiões afetadas por conflitos.



