Você já parou para pensar quais são as palavras mais comuns da língua portuguesa? Apesar de o português possuir centenas de milhares de palavras registradas em diferentes dicionários e bases linguísticas, uma parcela relativamente pequena do vocabulário aparece repetidamente nas conversas, livros, notícias, mensagens e textos que produzimos diariamente.
Palavras simples como “de”, “a”, “que”, “o”, “e”, “do”, “da”, “em”, “um” e “para” estão entre aquelas que encontramos o tempo todo. Isso acontece porque muitas delas possuem uma função estrutural na língua. Elas conectam ideias, indicam relações entre termos e ajudam a construir praticamente qualquer frase.
A frequência das palavras também muda de acordo com o material analisado. Uma conversa informal entre amigos apresenta um vocabulário diferente daquele encontrado em uma decisão judicial. Da mesma maneira, as palavras mais utilizadas no português brasileiro podem apresentar diferenças quando comparadas ao português falado em Portugal, Angola ou outros países lusófonos.

Por isso, não existe necessariamente uma única lista definitiva e imutável das palavras mais usadas em português. Os resultados dependem do chamado corpus linguístico, ou seja, do conjunto de textos e registros utilizado para realizar a análise.
Ainda assim, grandes coleções de textos permitem identificar padrões bastante claros. A seguir, você vai conhecer algumas das palavras mais frequentes da língua portuguesa, entender por que aparecem tanto e descobrir curiosidades interessantes sobre nosso vocabulário.
Quais são as palavras mais usadas na língua portuguesa?
Entre as palavras que aparecem com enorme frequência em textos escritos em português estão artigos, preposições, conjunções, pronomes e formas de verbos extremamente comuns.
Uma lista aproximada de palavras frequentes pode incluir:
- de
- a
- o
- que
- e
- do
- da
- em
- um
- para
- é
- com
- não
- uma
- os
- no
- se
- na
- por
- mais
- as
- dos
- como
- mas
- foi
- ao
- ele
- das
- tem
- à
- seu
- sua
- ou
- ser
- quando
- muito
- há
- nos
- já
- está
- eu
- também
- só
- pelo
- pela
- até
- isso
- ela
- entre
- depois
A posição exata de cada palavra pode mudar conforme a base analisada. Uma coleção formada principalmente por notícias não apresentará exatamente a mesma classificação de uma base composta por livros, conversas, páginas da internet ou documentos acadêmicos.
Portanto, é melhor entender essa relação como uma amostra de palavras extremamente frequentes no português do que como um ranking universal e definitivo.
Um ponto chama atenção imediatamente: grande parte das primeiras posições é ocupada por palavras bastante pequenas.
Existe uma explicação para isso.
Por que palavras como “de”, “a”, “o” e “que” aparecem tanto?
As palavras mais frequentes não são necessariamente aquelas que carregam o maior significado quando aparecem isoladamente.
Termos como “casa”, “dinheiro”, “trabalho”, “Brasil”, “amor” e “pessoa” podem parecer muito presentes no cotidiano. Mesmo assim, dificilmente conseguem competir em frequência com “de”, “o”, “a” ou “que”.
Isso acontece porque palavras como artigos, preposições e conjunções fazem parte da própria estrutura das frases.
Observe:
“O menino que mora perto da escola foi ao mercado com o pai e comprou um pacote de biscoitos.”
Em apenas uma frase aparecem várias palavras extremamente frequentes.
Agora imagine esse fenômeno repetido em milhões de frases.
É fácil perceber por que determinados termos acabam dominando os rankings de frequência.
A palavra “de”, por exemplo, pode estabelecer diferentes relações entre elementos da frase:
- casa de madeira;
- copo de água;
- cidade de São Paulo;
- livro de história;
- carro de João;
- aula de português;
- problema de saúde.
O mesmo acontece com “que”, “a”, “o”, “em” e outras palavras estruturais.
Elas conseguem aparecer nos mais variados assuntos.
Um texto sobre futebol pode utilizar “de”. Uma reportagem sobre economia também. Uma receita culinária, um romance, uma conversa pelo celular e um artigo científico provavelmente utilizarão a mesma palavra diversas vezes.
Essa versatilidade explica boa parte de sua enorme frequência.
As 100 palavras mais comuns da língua portuguesa
Quando procuramos pelas 100 palavras mais usadas em português, encontramos pequenas diferenças entre levantamentos. Isso acontece porque cada pesquisa pode utilizar fontes, épocas e metodologias diferentes.
Mesmo assim, é possível reunir uma seleção representativa de termos que aparecem frequentemente em grandes conjuntos de textos:
| 1–25 | 26–50 | 51–75 | 76–100 |
| de | foi | mesmo | onde |
| a | ao | aos | fazer |
| o | ele | ter | então |
| que | das | seus | ainda |
| e | tem | quem | porque |
| do | à | nas | sobre |
| da | seu | me | bem |
| em | sua | esse | pode |
| um | ou | eles | sem |
| para | ser | estão | pouco |
| é | quando | você | todos |
| com | muito | tinha | parte |
| não | há | foram | durante |
| uma | nos | essa | contra |
| os | já | num | antes |
| no | está | nem | outro |
| se | eu | suas | depois |
| na | também | meu | assim |
| por | só | às | qual |
| mais | pelo | minha | sempre |
| as | pela | numa | tanto |
| dos | até | pelos | era |
| como | isso | elas | dois |
| mas | ela | entre | primeiro |
| – | – | – | vez |
Essa tabela deve ser interpretada como uma referência de vocabulário frequente, e não como uma classificação estatística absoluta das 100 primeiras posições.
Bases linguísticas diferentes podem colocar “que” acima de “o”, alterar a posição de formas verbais ou apresentar diferenças consideráveis depois das primeiras posições.
Para determinar matematicamente as 100 palavras mais frequentes seria necessário definir primeiro qual variedade do português e qual conjunto de textos será analisado.
Essa distinção é fundamental quando falamos sobre frequência linguística.
Como sabemos quais palavras são mais comuns?
Não é necessário alguém abrir milhares de livros e contar manualmente cada palavra.
Hoje esse tipo de estudo pode ser realizado com corpora linguísticos, bancos formados por grandes quantidades de textos que podem ser processados por computadores.
“Corpus” é o singular. “Corpora” é uma forma plural tradicionalmente utilizada na linguística.
Imagine reunir milhões de palavras retiradas de:
- jornais;
- revistas;
- livros;
- documentos;
- entrevistas;
- transcrições;
- páginas da internet;
- trabalhos acadêmicos;
- conversas;
- legendas;
- outros materiais escritos ou falados.
Softwares conseguem processar esses conteúdos e calcular quantas vezes cada termo aparece.
Uma referência importante para estudos do português é o Corpus do Português, desenvolvido por Mark Davies, que reúne grandes quantidades de dados linguísticos e permite estudar frequência e uso das palavras em diferentes contextos.
Outra fonte conhecida é o Corpus Brasileiro, projeto ligado a pesquisas linguísticas que reuniu uma grande quantidade de textos em português brasileiro.
Também existem recursos desenvolvidos e mantidos por instituições e projetos dedicados ao processamento computacional da língua portuguesa.
Essas ferramentas são extremamente úteis porque permitem estudar a língua como ela realmente aparece em grandes volumes de conteúdo.
O que é frequência de palavras?
A frequência indica quantas vezes determinada palavra aparece em um conjunto de dados.
Suponha que analisamos um pequeno texto contendo 1.000 palavras.
Se “que” aparece 40 vezes, sua frequência absoluta naquele texto será 40.
Entretanto, pesquisadores frequentemente trabalham com bases muito maiores. Nesse caso, também podem utilizar medidas normalizadas, como ocorrências por milhão de palavras.
Isso permite comparar bases de tamanhos diferentes.
Uma palavra pode ser extremamente frequente em notícias e pouco comum em romances. Outra pode aparecer muito em conversas e raramente em textos científicos.
Por isso, perguntar “qual é a palavra mais usada em português?” parece simples, mas a resposta depende da metodologia utilizada.
Quais são os substantivos mais comuns em português?
Até agora nossa lista foi dominada por artigos, preposições, pronomes e conjunções.
Mas e quando analisamos apenas substantivos?
A situação muda bastante.
Dependendo do corpus e do período histórico considerado, palavras relacionadas a pessoas, tempo, sociedade e atividades cotidianas costumam apresentar alta frequência.
Entre substantivos bastante comuns podemos encontrar termos como:
- pessoa;
- ano;
- dia;
- tempo;
- homem;
- mulher;
- mundo;
- vida;
- casa;
- trabalho;
- país;
- parte;
- forma;
- lugar;
- caso;
- problema;
- vez;
- coisa;
- governo;
- estado;
- cidade;
- grupo;
- família;
- dinheiro;
- história.
É importante novamente considerar o contexto.
Em um grande conjunto de notícias políticas, “governo”, “presidente”, “Estado” e “país” podem ganhar posições.
Em conversas cotidianas, palavras como “casa”, “dia”, “gente”, “trabalho”, “dinheiro” e “coisa” podem adquirir enorme importância.
Isso revela algo interessante sobre estudos de frequência: o vocabulário também ajuda a mostrar sobre o que determinado grupo de pessoas escreve ou conversa.
Quais são os verbos mais usados em português?
Os verbos ocupam uma posição essencial na construção das frases e alguns aparecem com enorme frequência.
Entre os mais importantes estão:
Ser — “Eu sou estudante.”
Estar — “Ela está em casa.”
Ter — “Nós temos tempo.”
Fazer — “Vou fazer o trabalho.”
Ir — “Eles vão para a escola.”
Poder — “Você pode entrar.”
Dizer — “Ele disse a verdade.”
Ver — “Eu vi o filme.”
Dar — “Ela deu um presente.”
Saber — “Você sabe a resposta?”
Querer — “Eu quero aprender.”
Ficar — “Vou ficar aqui.”
Chegar — “Eles chegaram cedo.”
Passar — “O tempo passou rápido.”
Dever — “Ele deve chegar amanhã.”
Um detalhe importante é que a frequência pode ser calculada de duas maneiras.
Podemos contar cada forma separadamente:
- sou;
- é;
- somos;
- era;
- foram;
- será.
Ou podemos agrupá-las sob o verbo ser.
Esse processo é conhecido como lematização.
O mesmo vale para “tenho”, “tinha”, “teve” e “terá”, que podem ser agrupados sob o lema “ter”.
Essa diferença metodológica pode alterar bastante uma lista das palavras mais frequentes.
Palavras mais comuns na fala e na escrita são iguais?
Não.
A maneira como falamos é diferente da maneira como escrevemos.
Na comunicação oral aparecem interrupções, repetições, marcadores de conversa, abreviações e construções mais espontâneas.
Palavras e expressões como estas podem ganhar bastante espaço dependendo da região e do grupo analisado:
- gente;
- aí;
- né;
- tá;
- então;
- tipo;
- cara;
- assim;
- beleza;
- olha;
- sabe.
Já textos acadêmicos podem utilizar com maior frequência palavras como:
- análise;
- estudo;
- pesquisa;
- resultados;
- dados;
- processo;
- desenvolvimento;
- relação;
- conhecimento.
Documentos jurídicos possuem outro vocabulário. Notícias esportivas apresentam outro. Conversas nas redes sociais também possuem características próprias.
A língua portuguesa não é utilizada exatamente da mesma maneira em todas as situações.
É justamente por isso que estudos linguísticos procuram construir corpora diversificados quando desejam obter uma visão mais ampla do idioma.
Quantas palavras existem na língua portuguesa?
Essa é outra pergunta bastante popular e que não possui uma resposta tão simples quanto parece.
Contar palavras de um idioma envolve várias decisões.
Devemos considerar palavras antigas que praticamente ninguém utiliza? Termos científicos? Regionalismos? Estrangeirismos incorporados ao português? Flexões verbais devem ser contadas individualmente? E palavras novas criadas recentemente?
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), mantido pela Academia Brasileira de Letras, é uma das principais referências para consultar a grafia e o registro de palavras no português utilizado no Brasil.
O número de entradas é enorme e o vocabulário continua recebendo atualizações.
Mesmo uma obra desse porte não significa que cada brasileiro conheça ou utilize todas essas palavras.
Na prática, o vocabulário utilizado diariamente por uma pessoa representa apenas uma parcela do universo lexical disponível no idioma.
Também existe diferença entre vocabulário ativo e passivo.
Vocabulário ativo reúne palavras que uma pessoa utiliza espontaneamente ao falar ou escrever.
Vocabulário passivo reúne aquelas que ela consegue compreender quando encontra em uma conversa ou leitura, mesmo que raramente as utilize.
Normalmente conseguimos reconhecer muito mais palavras do que usamos regularmente.
Qual é a palavra mais usada no português brasileiro?
“De” frequentemente aparece entre as primeiras posições em levantamentos de frequência do português, mas declarar uma vencedora absoluta exige cuidado.
Dependendo da base utilizada e da maneira como contrações e sinais são contabilizados, o resultado pode mudar.
Palavras como:
de, a, o, que e e
costumam ocupar posições extremamente altas.
Observe como é difícil escrever naturalmente sem elas:
“A história do Brasil mostra que diferentes povos participaram da formação cultural e social do país.”
Em uma única frase já temos diversas ocorrências de palavras extremamente frequentes.
Também é importante lembrar que “do” representa a contração de “de + o”, enquanto “da” corresponde a “de + a”.
Se uma análise decidir separar essas contrações, a frequência atribuída individualmente a “de” poderá mudar.
Esse pequeno detalhe demonstra como a metodologia influencia o ranking.
Por que conhecer as palavras mais usadas em português é útil?
Descobrir quais são as palavras mais comuns não serve apenas como curiosidade.
Essas informações possuem aplicações práticas em diversas áreas.
Quem está aprendendo português como segundo idioma pode priorizar vocabulários de alta frequência. Afinal, aprender primeiro palavras que aparecem constantemente aumenta a capacidade de compreender textos e conversas.
Professores também podem utilizar dados de frequência durante a preparação de materiais didáticos.
Na tecnologia, listas de palavras frequentes são importantes em áreas como:
- processamento de linguagem natural;
- mecanismos de busca;
- corretores ortográficos;
- reconhecimento de voz;
- tradução automática;
- inteligência artificial;
- análise de textos;
- sistemas de recomendação;
- geração automática de linguagem.
Existe até um conceito bastante conhecido na análise de textos chamado stopwords.
Stopwords são palavras extremamente frequentes que determinados sistemas podem ignorar durante algumas análises porque, isoladamente, oferecem pouca informação sobre o assunto principal do conteúdo.
No português, listas de stopwords frequentemente incluem palavras como:
- a;
- de;
- do;
- da;
- e;
- o;
- que;
- em;
- para;
- com.
Imagine um mecanismo tentando identificar o tema de um artigo.
Saber que “de” apareceu 50 vezes provavelmente diz muito pouco sobre o assunto. Descobrir que “futebol”, “jogador”, “campeonato”, “gol” e “time” aparecem repetidamente oferece pistas muito mais úteis.
Isso não significa que as palavras pequenas sejam desnecessárias para a língua. Pelo contrário. Elas são fundamentais para construir frases. Apenas possuem menor capacidade de identificar sozinhas o tema de determinado documento.
Curiosidades sobre as palavras mais utilizadas em português
A frequência das palavras revela algumas características interessantes do idioma.
Uma delas é que poucas palavras aparecem muitas vezes enquanto milhares aparecem raramente.
Esse fenômeno não é exclusivo do português.
Existe uma regularidade conhecida como Lei de Zipf, associada ao linguista George Kingsley Zipf. De maneira simplificada, ela descreve uma relação recorrente entre a posição de uma palavra em um ranking de frequência e a quantidade de vezes que ela aparece.
As primeiras palavras possuem frequências enormes. Conforme avançamos pelo ranking, a quantidade de ocorrências diminui rapidamente.
Outra curiosidade é que as palavras mais comuns tendem a ser relativamente curtas.
“De”, “a”, “o”, “e”, “em”, “um” e “se” são bons exemplos.
Isso faz sentido do ponto de vista da eficiência da comunicação. Elementos utilizados constantemente tendem a possuir formas bastante econômicas.
Também podemos perceber que frequência e importância semântica não são a mesma coisa.
“Elefante” provavelmente aparece muito menos do que “de”. Mesmo assim, quando aparece em uma frase, oferece uma pista muito maior sobre o assunto discutido.
Compare:
“Ele falou de alguma coisa.”
“Ele falou sobre um elefante.”
A primeira frase utiliza uma das palavras mais frequentes do idioma, mas “de” praticamente não revela o tema da conversa.
“Elefante”, embora seja muito menos frequente, imediatamente adiciona uma informação específica.
A língua portuguesa está sempre mudando
Qualquer lista das palavras mais usadas precisa ser entendida como um retrato de determinado conjunto de textos e de determinado momento.
A língua acompanha mudanças culturais, sociais e tecnológicas.
Há algumas décadas, palavras como “smartphone”, “streaming”, “podcast”, “influenciador”, “aplicativo” e “emoji” praticamente não faziam parte das conversas cotidianas em português.
Hoje são facilmente compreendidas por milhões de brasileiros.
Outros termos perdem espaço conforme objetos, profissões, tecnologias e costumes deixam de fazer parte do cotidiano.
A internet também acelerou bastante esse processo. Expressões surgidas em comunidades online podem alcançar milhões de pessoas em pouco tempo e algumas acabam ultrapassando as fronteiras das redes sociais.
Mesmo assim, palavras estruturais como “de”, “o”, “a”, “que” e “e” permanecem extremamente presentes porque desempenham funções fundamentais na construção do idioma.
É justamente essa combinação que torna o português tão interessante. Algumas palavras atravessam séculos e continuam aparecendo em praticamente todas as conversas, enquanto outras nascem, mudam de significado ou desaparecem conforme a sociedade se transforma.
Na próxima vez que estiver lendo uma notícia, livro ou até uma mensagem no celular, tente observar quantas vezes aparecem palavras como “de”, “que”, “o” e “a”. Elas podem passar despercebidas justamente porque estão em quase todos os lugares.



