Os extintores de incêndio são equipamentos indispensáveis para a proteção de pessoas, patrimônios e empresas. Eles são projetados para combater princípios de incêndio antes que as chamas se espalhem e causem danos maiores. No entanto, um erro bastante comum é acreditar que qualquer extintor pode ser utilizado em qualquer situação.
Na prática, cada tipo de extintor é desenvolvido para combater determinadas classes de fogo. Utilizar o equipamento inadequado pode não apenas ser ineficaz, mas também aumentar o incêndio ou colocar a vida das pessoas em risco.
Neste artigo, você vai conhecer os principais tipos de extintores de incêndio, entender quais são as classes de fogo, aprender quando cada equipamento deve ser utilizado e descobrir quais normas regulamentam seu uso no Brasil.

O que é um extintor de incêndio?
O extintor de incêndio é um equipamento portátil ou sobre rodas destinado ao combate de princípios de incêndio. Seu objetivo é controlar ou extinguir as chamas antes que o fogo se torne incontrolável.
Ele funciona por meio da liberação de um agente extintor, que atua interrompendo um dos elementos do chamado Triângulo do Fogo, composto por:
- Combustível;
- Comburente (oxigênio);
- Calor.
Quando um desses elementos é eliminado, o fogo deixa de existir.
Por isso, existem diferentes agentes extintores, cada um indicado para determinados materiais combustíveis.
Como os incêndios são classificados?
Antes de conhecer os extintores, é fundamental entender que os incêndios são divididos em classes conforme o tipo de material que está queimando.
Essa classificação é adotada internacionalmente e utilizada pelas normas brasileiras.
Classe A
São incêndios em materiais sólidos que deixam resíduos e brasas.
Exemplos:
- Madeira;
- Papel;
- Papelão;
- Tecido;
- Borracha;
- Alguns tipos de plástico.
Esse tipo de fogo necessita de resfriamento para impedir sua reignição.
Classe B
Envolve líquidos inflamáveis e materiais que queimam apenas na superfície.
Exemplos:
- Gasolina;
- Álcool;
- Diesel;
- Tintas;
- Solventes;
- Óleos;
- Querosene.
Nesse caso, o agente extintor deve impedir o contato do combustível com o oxigênio.
Classe C
São incêndios envolvendo equipamentos energizados.
Exemplos:
- Painéis elétricos;
- Computadores;
- Quadros de distribuição;
- Motores elétricos;
- Transformadores;
- Servidores.
Nunca se deve utilizar água enquanto houver energia elétrica.
Classe D
Abrange metais combustíveis.
Entre eles:
- Magnésio;
- Titânio;
- Zircônio;
- Sódio;
- Potássio;
- Alumínio em pó.
Esses incêndios exigem agentes especiais.
Classe K
Embora ainda seja menos conhecida no Brasil, a Classe K é utilizada para incêndios em cozinhas industriais.
Ela envolve:
- Gorduras animais;
- Óleos vegetais;
- Fritadeiras industriais.
Restaurantes e cozinhas profissionais costumam utilizar extintores específicos para essa finalidade.
Quais são os principais tipos de extintores de incêndio?
Cada extintor utiliza um agente diferente para combater as chamas.
Conheça os principais.
Extintor de água pressurizada (AP)
O extintor de água é um dos mais tradicionais.
Seu funcionamento consiste no resfriamento do material em combustão.
Indicado para
- Classe A.
Exemplos de uso
- Escritórios;
- Escolas;
- Bibliotecas;
- Residências;
- Depósitos de papel.
Não deve ser utilizado em
- Equipamentos elétricos;
- Líquidos inflamáveis;
- Óleos.
A água pode provocar choques elétricos e espalhar líquidos inflamáveis.
Extintor de pó químico seco (PQS)
É um dos equipamentos mais encontrados em empresas, veículos e condomínios.
Seu agente químico interrompe a reação em cadeia da combustão.
Existem duas versões.
PQS BC
Combate:
- Classe B;
- Classe C.
É bastante utilizado em:
- Automóveis;
- Postos de combustível;
- Oficinas.
PQS ABC
É considerado um dos mais versáteis.
Combate:
- Classe A;
- Classe B;
- Classe C.
Por isso, tornou-se um dos extintores mais utilizados atualmente.
Extintor de dióxido de carbono (CO₂)
O extintor de CO₂ elimina o oxigênio ao redor das chamas.
Ele não deixa resíduos após o uso.
Ideal para
- Equipamentos eletrônicos;
- Servidores;
- Laboratórios;
- Painéis elétricos;
- Computadores.
Também pode ser utilizado em incêndios Classe B.
Principais vantagens
- Não molha equipamentos;
- Não deixa sujeira;
- Não danifica componentes eletrônicos.
Extintor de espuma mecânica
Esse equipamento forma uma camada de espuma sobre o combustível.
Essa película impede o contato com o oxigênio.
Indicado para
- Classe A;
- Classe B.
Muito utilizado em:
- Indústrias químicas;
- Aeroportos;
- Refinarias;
- Armazéns de combustíveis.
Extintor para metais combustíveis (Classe D)
É um equipamento específico para incêndios envolvendo metais.
Seu agente normalmente é composto por pós especiais capazes de absorver calor e isolar o material.
Nunca se deve utilizar água nesse tipo de incêndio.
Em alguns casos, a reação pode gerar explosões.
Extintor Classe K
Esse equipamento foi desenvolvido especialmente para cozinhas industriais.
Seu agente reage com óleos e gorduras formando uma camada protetora que reduz a temperatura e impede novas chamas.
É comum encontrá-lo em:
- Restaurantes;
- Hotéis;
- Hospitais;
- Lanchonetes;
- Cozinhas industriais.
Tabela: qual extintor usar em cada classe de fogo?
| Classe de fogo | Material em combustão | Extintor recomendado |
| Classe A | Madeira, papel, tecido | Água ou PQS ABC |
| Classe B | Gasolina, álcool, tintas | CO₂, PQS BC, PQS ABC ou espuma |
| Classe C | Equipamentos energizados | CO₂ ou PQS |
| Classe D | Metais combustíveis | Extintor Classe D |
| Classe K | Gorduras e óleos de cozinha | Extintor Classe K |
Essa tabela facilita a identificação rápida do equipamento adequado em situações de emergência.
Como identificar um extintor corretamente?
Todos os extintores devem possuir identificação visível.
Normalmente apresentam:
- Classe de incêndio;
- Tipo de agente extintor;
- Capacidade;
- Instruções de uso;
- Data da última manutenção;
- Selo do Inmetro.
Antes de utilizar qualquer equipamento, é importante verificar se ele está dentro do prazo de manutenção.
Como utilizar um extintor de incêndio?
Mesmo pessoas sem treinamento podem utilizar um extintor em um princípio de incêndio, desde que não haja risco à própria segurança.
O procedimento básico é simples.
1. Retire o lacre de segurança
Todo extintor possui um pino que impede disparos acidentais.
2. Direcione o bico para a base das chamas
Nunca mire na fumaça.
O agente deve atingir o material que está queimando.
3. Acione a alavanca
Pressione continuamente para liberar o agente extintor.
4. Faça movimentos laterais
Movimente o jato de um lado para outro até controlar completamente o foco.
5. Mantenha distância segura
Sempre permaneça a alguns metros do incêndio, aproximando-se apenas se houver segurança.
Onde os extintores devem ser instalados?
A instalação deve seguir critérios previstos nas normas técnicas e nas legislações estaduais do Corpo de Bombeiros.
Em geral, eles devem ficar:
- Em locais visíveis;
- Próximos às rotas de fuga;
- Livres de obstáculos;
- Com sinalização adequada;
- Em altura que permita fácil acesso.
Empresas também precisam observar o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) ou o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), conforme a legislação local.
Qual a validade dos extintores?
Os extintores precisam passar por inspeções periódicas.
Entre os principais cuidados estão:
- Conferir a pressão;
- Verificar possíveis vazamentos;
- Observar danos externos;
- Garantir que o lacre esteja intacto;
- Realizar manutenção conforme indicado pelo fabricante.
Além disso, o Inmetro exige que as manutenções sejam feitas por empresas certificadas, garantindo que o equipamento funcione corretamente quando necessário.
Quais normas regulamentam os extintores no Brasil?
A utilização de extintores de incêndio é regulamentada por diferentes normas técnicas e legislações.
As principais são:
- ABNT NBR 12693 – Sistemas de proteção por extintores de incêndio;
- ABNT NBR 12962 – Inspeção e manutenção de extintores;
- NR 23 – Proteção contra incêndios, do Ministério do Trabalho;
- Regulamentos estaduais dos Corpos de Bombeiros;
- Requisitos de certificação estabelecidos pelo Inmetro.
Essas normas definem critérios para instalação, sinalização, manutenção e distribuição dos extintores em edificações.
Erros comuns ao usar um extintor
Muitos acidentes acontecem por desconhecimento.
Veja os erros mais frequentes:
- Utilizar água em equipamentos energizados.
- Jogar água sobre óleo em chamas.
- Escolher um extintor incompatível com a classe de incêndio.
- Não verificar a validade do equipamento.
- Bloquear o acesso aos extintores.
- Esperar o fogo aumentar antes de agir.
- Permanecer em ambientes tomados por fumaça.
Sempre que o incêndio ultrapassar o estágio inicial, a prioridade deve ser abandonar o local com segurança, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e seguir o plano de evacuação da edificação.
Por que conhecer os tipos de extintores pode salvar vidas?
Saber identificar corretamente as classes de incêndio e utilizar o extintor adequado faz toda a diferença em uma situação de emergência. Um equipamento compatível pode controlar rapidamente um princípio de incêndio, reduzindo danos materiais e aumentando as chances de proteger vidas.
Além de cumprir exigências legais, empresas, condomínios e residências que investem em prevenção, treinamento e manutenção periódica dos extintores estão mais preparados para agir nos primeiros minutos de um incêndio, quando a resposta rápida costuma ser decisiva para evitar que as chamas se espalhem.